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Terça-feira, 04 de agosto de 2020

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Com 600 infectados na Penitenciária Central do Estado, juiz cogita soltura de detentos

Da Redação - Max Aguiar

03 Jul 2020 - 12:01

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Com 600 infectados na Penitenciária Central do Estado, juiz cogita soltura de detentos
Dois raios da Penitenciária Central do Estado (PCE), o segundo maior centro de detenção de Mato Grosso, estão isolados com 600 detentos infectados com a Covid-19. Prevendo um caos no sistema, se nada for feito por parte do poder público, o juiz Geraldo Fidelis, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá e corregedor das penitenciárias, decidiu que irá tomar medidas duras caso médicos e remédios não sejam enviadas para a cadeia. 

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Segundo o magistrado, as Secretaria de Saúde, Segurança e Administração Penitenciária têm até o fim de semana para responder com ações, tendo em vista que dentro do sistema penitenciário existem outros detentos e profissionais que podem se infectar caso as infecções aumentem. 

Por telefone, o magitrado disse que não quer tomar medidas de soltura dos presos, mas se nada for feito, só sobrará essa alternativa, pois apenas nas unidades de saúde municipal e estadual os detentos conseguiriam atendimento médico. 

"Eu não vou enterrar presos lá dentro e nem quero fazer soltura em massa. Eu quero uma medida das nossas autoridades, que enviem médicos, enfermeiros, medicamentos e insumos para que os reeducandos possam ser tratados dentro do sistema", disse o juiz ao Olhar Júridico

Segundo o magistrado, os detentos não estão em estágio avançado da doença, mas para que não precisem ocupar respiradores e UTIs, eles precisam ser assistidos agora. Os 600 isolados fazem parte de uma ala, considerada calma, com presos evangélicos e outros em final de pena. 

Na decisão, encaminhada aos órgãos estadual e municipal, o juiz diz que a PCE será uma unidade geradora de Covid-19 se nada for feito. 

"Neste momento, é medida não apenas emergencial, como indispensável, para a escorreita prestação da garantia à saúde, já que, se confirmados os casos suspeitos, em apenas alguns dias, todos os penitentes estarão contaminados. E, além deles, os Policiais Penais, servidores do Sistema Penitenciário, equipes de saúde penitenciária e os parentes destes, o que resultará, com toda certeza, reflexos em nossos bairros, pasmem! Sim, a PCE será uma enorme usina geradora de COVID-19 na Capital do Estado e na vizinha cidade de Várzea Grande!", escreveu o juiz. 

Por último, o juiz volta alertar, que se as medidas não forem tomadas nesse fim de semana, os detentos serão colocados na rua. "Assim, caso um enérgico protocolo de atenção aos recuperandos da PCE não seja adotado ainda esta semana, que se finda nesta sexta-feira, todos aqueles positivados com o novo coronavírus poderão ser reinseridos em sociedade e, consequentemente, sob a tutela da rede pública de saúde estadual e municipal, as quais, segundo consta, está colapsada. Este final de semana será crucial para se salvar inúmeras vidas e evitar a propagação do maléfico vírus. Não há mais tempo a se perder!", disse Fidelis. 

Segundo o juiz, alguns medicamentos já foram colocados à disposição do sistema, mas isso ainda não atende o pedido judicial. "Se não tomarem as medidas necessárias... Bom, vamos aguardar. Não quero antecipar nada", disse o juiz, que está perplexo com a situação penitenciária de Cuiabá e Várzea Grande. 

Procurada, a Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que acionou a SES-MT e todos os que foram citados na decisão judicial para buscarem uma solução em conjunto ainda nesta sexta-feira (03).

Por meio de nota, a assessoria de imprensa disse que o que cabe à Sesp é a convocação dos profissionais da área da Saúde lotados no Sistema Penitenciário, tais como, técnicos de enfermagem, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, médicos pneumologistas e infectologistas, a fim de que permaneçam em regime de prontidão, diante de uma eventual imediata convocação de emergência, em regime de plantão, mediante as compensações devidas, visando a promoção de atenção à saúde na Penitenciária Central do Estado.
 

69 comentários

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  • paula
    05 Jul 2020 às 08:16

    Ah ta! e a população que se dane né? já nao basta os que estão soltos? ou acham que esses "anjinhos" vão ficar em isolamento? certeza de crimes 10 vezes mais o índice que já temos!

  • Alguém
    04 Jul 2020 às 19:42

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  • PORFIVAL THEODOLINO HAUER DE SOUZA
    04 Jul 2020 às 16:05

    Mande para penitenciária nova de Várzea Grande

  • Edmilson rosa
    04 Jul 2020 às 12:37

    Doutor não faça isso são pessoas que vão repassar mas rapidamente essa doença e ainda mas assalto ocorrerá .

  • Nadine
    04 Jul 2020 às 10:00

    Espero que as autoridades competentes tomem uma atitude imediatamente, porque a sociedade não tem que pagar mais esse preço tão alto. Afinal, a concessão da liberdade a presos contaminados só vai tornar o problema infinitamente maior, já que aqui fora, nem os cidadãos de bem estão conseguindo ser atendidos e acompanhados como deve. Na verdade, os presos tem prioridades que o cidadão aqui fora não tem. Falar em solta-los para que possam ter acompanhamento médico chega a ser uma piada. Conta outra.

  • Winchester 44
    04 Jul 2020 às 09:29

    Medida simples: É só sacrificar logo os que estão contaminados e deixa continuar presos os que não estão, vai sobrar até mais espaço.

  • Lampiao
    04 Jul 2020 às 07:19

    Juiz despreparado... Tem que matar estes bandidos ou melhor deixam que morram porque se estao presos é pq nao sabem viver sociedade...

  • Rogério
    04 Jul 2020 às 07:16

    Vai soltar pra infetar os familiares e sabe Deus quantos mais! Além disso se estão lá é porque são perigosos para estarem soltos na sociedade, se na lei cometeu crime tem que ir preso! Que fique lá!

  • josé
    04 Jul 2020 às 06:58

    Ué não entendi nada. Soltar resolve ou aumenta os problemas? Se estavam em isolamento , como pegaram o virus?Não seria uma jabuticaba genuinamente matogrossense?

  • Chacal
    04 Jul 2020 às 06:36

    Levem-nos para as casas dos juízes, promotores e defensores públicos.

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