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Domingo, 21 de julho de 2024

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OSTENTAVA LUXO

Advogado é réu em ação acusado de aplicar golpes em clientes e oferecer vantagens com a polícia

Foto: Reprodução

Advogado é réu em ação acusado de aplicar golpes em clientes e oferecer vantagens com a polícia
A advogado Marcos Vinícius Borges, vulgo “Argentino”, é réu em um processo no qual é acusado de aplicar golpes em clientes e oferecer a eles vantagens indevidas. Ele ostenta uma vida de luxo nas redes sociais. O suspeito sempre buscava vítimas que acabavam presas por crimes de pouca gravidade e afirmava que conseguiria melhorar a situação deles caso houvesse pagamento a policiais. A denúncia do Ministério Público de Mato Grosso contra ele foi recebida pelo juiz Mario Augusto Machado, da 4ª Vara Criminal de Sinop (a 479 km de Cuiabá).

 
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A promotora Roberta Cheregati Sanches, da 4ª Promotoria de Justiça Criminal de Sinop, ofereceu a denúncia contra Marcos Vinícius relatando três casos. O primeiro foi o da vítima E.F., a quem o advogado alegou que conseguiria vantagem em favor dela com a polícia.
 
E.F. foi preso pela contravenção penal de direção perigosa e pelo crime de desobediência. O advogado Marcos Vinícius chegou na delegacia e conversou com a vítima, afirmando ardilosamente que sua situação era grave e ele seria encaminhado ao presídio. Ele ofereceu seus serviços advocatícios pelo valor de R$ 3 mil, mas a vítima disse não ter dinheiro e ofertou sua motocicleta, à época avaliada em R$ 20 mil, como forma de garantia de pagamento.
 
Marcos Vinícius, para buscar convencer a vítima e justificar o alto valor, alegou que parte do dinheiro também seria repassado aos policiais responsáveis do plantão para adiantarem e facilitarem sua soltura.
 
O segundo caso é o da vítima L.C.C., que foi presa acusada da prática do crime de embriaguez ao volante. Marcos Vinicius, no mesmo modus operandi, foi à delegacia, conversou com a vítima e disse que a situação dela era grave e caso não o contratasse ficaria preso na penitenciária. Ele disse que o custo seria de R$ 10 mil pelos honorários e R$ 2 mil de fiança, além de um valor de “gorjeta” para dar aos policiais que estavam de plantão.
 
A vítima, no entanto, não teria aceitado a proposta, mas o advogado, sem autorização, entrou em contato com a esposa de L.C.C. e disse que a situação dele era grave, e caso não contratassem seus serviços seria encaminhado ao presídio. Ele disse à mulher que o valor seria de R$ 7 mil, mas que seria necessário um adiantamento de R$ 2 mil.
 
O terceiro caso foi das vítimas A.A. e R.A.M.P., um casal, sendo que o homem havia sido preso após ter trocado agressões com o cunhado, por causa de uma desavença familiar. O advogado tinha ido à delegacia falar com outros detidos, mas avistou A.A. e se ofereceu para ligar para os familiares dele, obtendo assim o telefone da esposa, R.A.M.P.
 
Ao ligar para a esposa o advogado, mesmo sabendo que o fato não resultaria em prisão, ardilosamente a induziu ao erro, novamente afirmando que a situação dele era grave e que se não o contratassem ele seria encaminhado ao presídio. Também disse que se não “contratassem” o delegado, ele não ouviria A.A. no mesmo dia, já que haviam vários outros procedimentos na frente. Apavorada, R.A.M.P. acabou passando um cheque de R$ 1 mil ao suspeito.
 
Ao analisar a denúncia o juiz verificou que nos três casos houve o mesmo modus operandi e que havia “conexão instrumental probatória entre eles” e por isso deveriam tramitar em conjunto. Ele então recebeu a denúncia contra o advogado pelos crimes de estelionato e tráfico de influência.
 
“Nessa situação, preenchidos os demais requisitos legais [CPP 41], recebo a denúncia oferecida pelo Ministério Público, dando o acusado Marcos Vinícius Borges como incurso nas penas dos artigos 171, caput, e 332, parágrafo único, ambos do Código Penal (por duas vezes), e artigo 171, caput, do Código Penal”, diz trecho da decisão.

Policiais, inclusive, chegaram a colocar uma faixa em frente ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil em Sinop, pedindo providências quanto aos crimes praticados por Marcos Vinícius.

 
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