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Quarta-feira, 01 de dezembro de 2021

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Dono de gráfica revela que devolveu dinheiro a 'mensageiros' da campanha de Pedro Taques

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Dono de gráfica revela que devolveu dinheiro a 'mensageiros' da campanha de Pedro Taques
O empresário Dalmi Defanti, dono da Gráfica Print, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) confirmando que realizou serviços à campanha de Pedro Taques, ano de 2014. Informações constam em inquérito na Justiça Eleitoral com base na delação premiada de Alan Malouf. Conforme declarações, parte de valores pagos pela campanha foram devolvidos. Dalmi, porém, não identificou quem teria recebido. Em trecho do depoimento, o empresário chegou a dizer que se encontrou com Taques, sem negociações ilegais. O ex-governador teria salientado que em seu governo não haveria direcionamento de licitações.
 
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Conforme declarações, em um primeiro momento Dalmi teria sido procurado por Alan Malouf, que solicitou doação para a campanha de Taques. Num segundo momento, o dono da gráfica teria participado de reunião com Alan Malouf e o então candidato na sacada de um apartamento no bairro Santa Rosa.
 
Na reunião, Dalmi afirmou a Pedro Taques que gostaria que as licitações do futuro governo não tivessem interferências políticas. “Pedro Taques esclareceu que o seu governo não haveriam direcionamentos e nem vantagens para qualquer pessoa, sendo todos tratados de forma igualitária, na forma da lei”, diz trecho do depoimento.
 
Pelo acordo na reunião, as doações seriam realizadas de forma oficial, ou seja, declaradas na prestação de contas. Posteriormente, Alan Malouf teria solicitado R$ 2 milhões. Dalmi, segundo depoimento, concordou, desde de que mediante o recebimento do termo de doação.
 
Ainda segundo depoimento, no início da campanha eleitoral começaram a chegar os pedidos do comitê da campanha, momento em que a gráfica começou a prestar os serviços. Durante o pleito, foram emitidas notas fiscais constando exclusivamente o custo dos materiais e serviços gráficos prestados.
 
Conforme Dalmi, houve um pagamento da primeira nota fiscal, no dia 26 de agosto de 2014. O empresário questionou ao comitê de campanha o motivo do pagamento, uma vez que, ao final, seria emitido um recibo de doação eleitoral, conforme acordado.
 
A resposta supostamente obtida foi de que ao final da campanha, seria feito o acerto, uma vez que a estimativa do comitê era de que os produtos e serviços gráficos necessários superaria o limite máximo aceitado pelo empresário.
 
Por se tratar de doação eleitoral, Dalmi aguardou o final da campanha para solicitar os recibos referente à parcela que não superasse o valor de R$ 2 milhões em valor de mercado. Ao final de outubro, conforme depoimento, após a eleição, foi procurado por uma pessoa ligada à campanha sugerindo que seria melhor que a Gráfica Print não aparecesse como doadora oficial.
 
Segundo Dalmi, a proposta da direção da campanha era de que a gráfica figurasse como prestadora de serviço, constando como despesa. A campanha faria o depósito integral dos valores constantes nas notas ficais emitidas e o empresário devolveria parte referente às doações.
 
“Inicialmente o declarante resistiu, mas sentiu-se coagido a agir dessa forma por se tratar de ex-membro do Ministério Público, atual Senador e Governador já eleito”, diz trecho do depoimento.
 
Desta forma, conforme depoimento, entre o final de outubro e início de novembro de 2014, a campanha eleitoral depositou os valores na conta da gráfica. Logo depois, o declarante sacou a quantia total de aproximadamente R$ 440 mil. Tais saques foram fracionados em vários valores e dias diferentes.
 
“Após a realização dos saques (no valor total de R$440 mil), entregava tais quantias em espécie para mensageiros enviados pela direção da campanha; QUE os valores eram entregues na sala do financeiro da empresa Gráfica Print”.
 
Dalmi finalizou depoimento salientado que “não se recorda quem foram as pessoas responsáveis por buscar os referidos valores”.
 
Outro lado

Pedro Taques afirmou ao Olhar Jurídico que nunca solicitou nada ilegal a Dalmi Defanti. O ex-governador ressaltou ainda o trecho citado no depoimento em que há a informação de que não haveria direcionamento de licitação no governo.
 
Ainda conforme Taques, Dalmi não sabe quando deu ou para quem deu o suposto retorno de valores. “Só fala que seria alguém da coordenação da campanha”. A imprecisão provaria a inocência do ex-governador.  
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