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Terça-feira, 18 de junho de 2024

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OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA

Advogados receberiam R$ 150 para entregar celulares a membros do Comando Vermelho detidos na PCE

Foto: Reprodução

Advogados receberiam R$ 150 para entregar celulares a membros do Comando Vermelho detidos na PCE
A Operação “Caixa de Pandora”, deflagrada na última quinta-feira (6),+ apontou que três advogados teriam envolvimento com a entrega ilegal de celulares e peças dos aparelhos à detentos do Comando Vermelho presos na Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo as investigações, a advogada Elvira Kelli Almeida Cruz teria relação direta e comercial com os reclusos “Gerê” e “Carioca”, os quais pagavam cerca de R$150 reais como recompensa pela empreitada.


Leia mais: Operação no sistema prisional mira policiais penais e advogados; 19 alvos e 43 mandados de busca e apreensão

Além de Elvira, inscria na OAB de Rondônia, a advogada Fabiana Felix de Arruda e o advogado Cleberson dos Santos Schmit, conhecido por “Binho”, ambos inscritos na OAB-MT, participaram da entrada ilegal dos aparelhos.

O trabalho de análise foi feito a partir das conversas e mensagens contidas no aparelho telefônico usado por “Carioca” e Gerê”, em que eles negociavam com Elvira sobre a entrega não só de celulares, mas também de peças dos aparelhos para facilitar as respectivas entradas.

Os agentes da operação observaram que Elvira entrava com parte das peças dos celulares, como touch, telas e placas, por sem mais fáceis de transportar e por não levantarem tantas suspeitas.

Após adentrarem a unidade prisional, as peças de celular seriam montadas por outro preso. O preso de alcunha “GERÊ”, inclusive, chega a se identificar nos áudios, afirmando se chamar José Ricardo Souza de Oliveira.

Durante diálogo do dia 15 de fevereiro de 2019, “Gerê” entra em contato com Elvira, afirmando que havia mandado quatro nomes para ela (“O do Benedito, o do cadeirante, outro do guri, do guri, cada um traz um e o cadeirante vai só pra senhora conversar”), possivelmente, os presos para os quais entregaria ou para quem seriam repassadas as peças ou celulares.

Detendo identificado como Frank era quem montava as peças dos celulares. Em outro diálogo interceptado, “Gerê” relembra que Elvira já teria feito outros negócios com Frank, e que o dinheiro da trama seria deixado com um “agente” penal não identificado, mas que apontou o envolvimento de servidor do sistema penitenciário no esquema.

Tratando-se de valores, “Gerê” afirma à Elvira que lhe depositaria R$ 600 em sua conta, mas lembra que desse total, R$ 450 deveria ser usado para comprar um “touch” e que os R$ 150 restantes ela poderia ficar como recompensa.

Elvira responde afirmativamente ao combinado, concordando em comprar a peça e leva-la para Gerê, no entanto, pondera que estava lhe faltando tempo para realizar a entrega. Ainda assim, em outro áudio, a polícia identificou que ela entrou com um pacote de seis aparelhos destinados a ele.

A falta de tempo de Elvira fez com que ela sugerisse à Gerê que outros juristas entrassem no esquema para ajudá-la, argumentando que estaria corrida e com dois advogados seria mais fácil tirar mais gente das celas e facilitar a entrega dos aparelhos celulares ou componentes.

“Gerê”, então, concorda com a participação de mais advogados e ainda coloca à disposição de Elvira um Toyota Corola, para que ela pudesse utilizá-lo para comprar e levar as peças de telefone à PCE.

Ele ainda promete transferir R$ 5 mil a ela, para que entrasse com oito touchs de celular marca Samsung. Foi aí que Elvira diz que iria chamar o advogado Cleberson para participar da empreitada, sob argumento de que ele gosta de dinheiro e já teria a ajudado em outras ocasiões.  
 
Elvira, então, pediu para “Gerê” falar ainda naquele dia com Cleberson, porque ela teria combinado ele de irem ao presídio no dia seguinte, alegando que ele poderia “entrar com alguma coisa”. Em seguida, outras interceptações revelaram que Cleberson passou a manter contato direto com “Gerê”.

O conteúdo das mensagens deixou nítido que o referido advogado também ingressou clandestinamente com peças de aparelhos celulares na PCE por meio de um preso de nome Alexandre, que ficou encarregado de recebê-las.

Adiante, mensagens e áudios entre “Gerê” com Fabiana, revelam também o envolvimento da Advogada Fabiana Félix de Arruda Souza na compra de um “touch” de telefone (peça componente do celular) para ele, tendo a peça ingressado clandestinamente na penitenciária por meio da Advogada Elvira Kelli.

O dinheiro para a compra do componente de celular foi depositado por “Gerê” na conta de Fabiana, conforme print de comprovante encontrado na conversa mantida entre ambos. Fabiana, vale lembrar, foi presa no âmbito de outra operação, a “Apito Final”, acusada de emprestar seu nome para que lideranças do CV pudessem lavar milhões de reais em Cuiabá e VG.

À Fabiana, Gerê transferiu R$600 reais, no mesmo combinado à Elvira: R$ 150 seriam para ela a título de participação, enquanto os R$450 restantes para aquisição de outro touch.

“Portanto, a análise do conteúdo do aparelho celular aprendido deixa evidente que as Advogadas Elvira Kelli de Almeida Cruz e Fabiana Félix de Arruda Souza e o Advogado Cleberson dos Santos Silva Schmit se utilizaram da confiabilidade da profissão para a entrada, mediante paga, de componentes de celulares durante os atendimentos entre advogado e cliente na Penitenciária Central do Estado”, concluiu um dos tópicos investigativos da “Caixa de Pandora”.

Operação

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou nesta quinta-feira (6) a operação Caixa de Pandora. Dezenove pessoas, incluindo policiais penais e advogados, são alvos de 43 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres.

O grupo é investigado por promover articulação para garantir a entrada de materiais ilícitos, tais como aparelhos celulares e assessórios nas unidades prisionais da Capital,  obtendo, assim, vantagem econômica ilícita e causando inúmeros prejuízos à segurança pública dentro e fora do Estado.

Conforme o Gaeco, os elementos probatórios colhidos durante a investigação demonstram que servidores do Sistema Penitenciário ingressaram e/ou facilitaram a entrada de aparelhos celulares e acessórios na Penitenciária Central do Estado, os quais eram utilizados pelos presos. Através dos dispositivos, os detentos praticavam e ordenavam vários crimes extramuros. 
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