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Terça-feira, 18 de junho de 2024

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PREJUÍZO BILIONÁRIO A INVESTIDORES

Mais de 60 mil hectares da "Boi Gordo" vai à leilão por R$88 milhões

Foto: Reprodução / Ilustração

Mais de 60 mil hectares da
A Justiça de São Paulo determinou o leilão de 62 mil hectares de terras pertencentes à antiga Fazendas Reunidas Boi Gordo, por R$ 88 milhões. O lote está situado dentro do Parque Nacional do Juruena, em Apiacás, Mato Grosso. A primeira fase está marcada para 20 de maio, e tem previsão de durar 3 dias. A Boi Gordo ficou conhecida nacionalmente por aplicar um golpe de pirâmide em pelo menos 30 mil investidores de todo o país. Com marketing agressivo, o grupo que geria a fazenda passou a fazer propaganda no intervalo da novela “Rei do Gado”, oferecendo cotas de investimentos em propriedades rurais.


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No contexto atual de conscientização ecológica e sustentabilidade, a Fazendas Reunidas Boi Gordo "Apiacás-MT", emerge como uma propriedade de valor inestimável para Compensação de Reserva Legal (CRL). Em um mercado emergente, onde a regularização de terras se torna cada vez mais crucial, a fazenda se destaca como um ativo estratégico para proprietários, posseiros, e grandes corporações que buscam cumprir com as exigências legais e ambientais.

O imóvel está localizado em região coberta pelo Bioma Floresta Amazônica, com 61.976 mil hectares cobertos com vegetação original, dos quais 49.580 estão mantidos a título de área de proteção ambiental (Área de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente).

Erik Teles, leiloeiro oficial, destacou que a oferta é uma chance para o setor do agro no país, uma vez que há disponibilização de propriedades com potencial notável. As terras estão localizadas em reserva de acesso restrito e, por isso, despertam interesse por uma preservação mais eficaz.

O certame público, determinado pela Justiça de SP, é realizado pela plataforma Positivo Leilões. Os interessados podem participar por meio do site www.positivoleiloes.com.br. 
Esquema de pirâmide

Falida em 2004, a Fazendas Reunidas “Boi Gordo” ganhou as manchetes do país no final da década de 1990, quando aplicou um golpe de pirâmide que vitimou mais de 30 mil investidores, causando prejuízo bilionário.

A ideia era vender cotas de investimentos em fazendas de gado oferecendo lucros exorbitantes, porém seguros, via processo de engorda de bois, o que obviamente caracterizou a fraude.

 Nascido em 1988, o grupo, capitaneado à época por Paulo Roberto de Andrade decidiu organizar a fraude em 1996, quando passou a oferecer ao público os investimentos.

O marketing agressivo, transmitido no intervalo da novela “Rei do Gado”, um sucesso global na época, resultou no alcance de diversos investidores no país e de outros países também, inclusive famosos. Marisa Orth, Benedito Ruy Barbosa e Antônio Fagundes, o garoto propaganda, foram vítimas.

Comercial protagonizado por Antonio Fagundes vendia rentabilidade média de 3,23% ao mês. A realidade nos bastidores, porém, era bem diferente. O pagamento, que deveria vir do lucro da engorda, na verdade, era proveniente da entrada de novos investidores, a chamada “pirâmide”.

Em 2001 o esquema desmoronou e a Justiça foi acionada. Até hoje os 30 mil investidores lutam para conseguir de volta todos os valores que colocaram na fraude. Essas pessoas perderam o dinheiro e a empresa faliu em 2004, cujo prejuízo estimado e atualizado é na casa de R$ 6 bilhões. O montante devido está sendo paulatinamente devolvido por meio de ações na Justiça e leilões.
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