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Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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GRUPO RAÇA AGRO

Juiz suspende execuções contra conglomerado milionário de filho de senador por 60 dias

Foto: Reprodução

Juiz suspende execuções contra conglomerado milionário de filho de senador por 60 dias
O juízo da 4ª Vara Cível de Rondonópolis antecipou a blindagem patrimonial do Grupo Raça Agro, propriedade de João Antônio Fagundes Neto, filho do senador Wellington Fagundes (PL). Decisão do juiz Renan Carlos Pereira do Nascimento foi proferida no último dia 10, suspendendo as execuções e a exigência do cumprimento das obrigações financeiras com os credores, por 60 dias, prazo estipulado para a apresentação do Plano de Recuperação Judicial.


Leia mais: Grupo familiar do agro culpa crises econômicas e entra em recuperação judicial por passivo de R$ 170 milhões

O conglomerado mato-grossense conta com 20 lojas, 480 funcionários e está presente em cinco estados do país. Fundado em 1979 pelo senador Fagundes, é formado pelas empresas João Antônio Fagundes Participações Ltda (JAF Participações), Zootec Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda (Zootec), Suprema Produtos Agropecuários Ltda, SGM do Brasil e Soluções em Semente e Pastagem Ltda e Ipê Holding Ltda. 
 
A última aquisição do Raça Agro foi a SGM Seeds, em 2023, por cerca de R$250 milhões, cujo objetivo é alcançar o faturamento de R$500 milhões em 2024.  A SGM Seeds é a segunda aquisição conglomerado, sendo a primeira ocorrida em 2020, quando se integrou a Suprema Produtos Agropecuários.

À justiça, no entanto, o grupo alegou que está passando por uma temporada de crise econômico-financeira, e asseguraram a viabilidade de soerguimento e cumprimento de obrigação junto aos credores.

No entanto, para ter condições de negociar junto aos credores, de forma organizada e segura, pediram a antecipação dos efeitos de blindagem, fase que antecede a Recuperação Judicial em si.
  
“Requereram, assim, “a obtenção de provimentos cautelares, em caráter antecedente, com base no art. 20-B, § 1º, da LRF e no art. 305 do CPC, que visam viabilizar as negociações das Requerentes com seus principais credores de forma a reestruturar seu passivo”, diz trecho do pedido.

Como o processo tramita em sigilo, não há informações precisas sobre o montante total da dívida. No entanto, examinando o pleito, o magistrado verificou que foram cumpridos todos os requisitos necessários para a antecipação cautelar, uma vez que o grupo apresentou vasta documentação, que aponta para o preenchimento dos requisitos legais para o deferimento do pedido de processamento da recuperação judicial, ao menos neste momento de juízo de cognição sumária.

Porém, para constatar a verdadeira viabilidade da medida, o magistrado determinou que a empresa Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda faça a constatação antecedente para periciar profundamente a real situação econômico e financeira das empresas do grupo.

Outro lado

O Grupo Raça Agro informa que a Justiça aceitou seu pedido de mediação com credores para renegociar dívidas financeiras a vencer.

Esta mediação, diferentemente de uma recuperação judicial, tem como objetivo realizar uma reestruturação rápida e segura com os credores. A medida visa assegurar a normalidade e continuidade do bom relacionamento com nossos clientes, fornecedores e credores.
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