Olhar Jurídico

Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Notícias | Criminal

PARA SERVIR DE EXEMPLO

Chefe do MPE defende aplicação de pena máxima a suspeito que matou mãe e três filhas em MT

28 Nov 2023 - 16:48

Da Redação - Airton Marques / Do Local - Max Aguiar

Foto: Olhar Direto

Chefe do MPE defende aplicação de pena máxima a suspeito que matou mãe e três filhas em MT
O procurador-geral de Justiça, Deosdete Júnior, defendeu pena máxima ao pedreiro Gilberto Rodrigues dos Anjos, preso pelo assassinato brutal de Cleci Cardoso, de 46 anos, e suas filhas, Miliane, de 19, e duas menores, de 10 e 12 anos, em Sorriso (420 Km de Cuiabá). De acordo com o chefe do Ministério Público Estadual (MPE), o órgão irá atuar para que o caso sirva de exemplo.

Leia também
Desembargador devolve comando do Hospital Militar para coronel, mas magistrada mantém ordem para novas eleições


"A pena máxima não pode ser simbólica, se ela existe, precisa ser aplicada. Temos uma cultura que fomenta muito a criminalidade no nosso país, que aplicamos as penas sempre muito próximas ao mínimo legal. Pena máxima existe para situações como essa, que precisam ser exemplarmente aplicadas", disse, nesta terça-feira (28), ao Olhar Jurídico.

Tratando o crime como uma barbárie, Deosdete ressaltou que é preciso atualização do sistema penal, para por fim a sensação de impunidade. Em setembro, Gilberto teria invadido uma residência em Lucas do Rio Verde (354 Km de Cuiabá) e cometido abuso sexual contra uma outra vítima, que estava dormindo. Ele também teria tentado matá-la, com cortes no pescoço. A vítima, no entanto, sobreviveu ao ataque. O criminoso tem ainda um outro mandado de prisão aberto em Mineiros (GO), por latrocínio.

"O MPE aguarda a conclusão das investigações para fazer seu papel institucional, levando essa pessoa às grades da Justiça, para que seja punida exemplarmente. Também fica o momento de reflexão para que nossos legisladores avaliem se nosso sistema policial e de justiça está atendendo ao que o cidadão precisa", disse o chefe do MPE.

"Vivemos um momento de bastante dificuldade, em que o cidadão precisa ficar preso dentro de casa, enquanto a criminalidade está solta do lado de fora. Nós temos um sistema de progressão de pena que não funciona. É uma falácia falar que uma pessoa com tornozeleira está sob égide do Estado. É preciso uma discussão aprofundada sobre isso, lugar de preso é na cadeia", acrescentou.

Por fim, Deosdete afirmou que o cidadão que volta a cometer crimes não pode conviver livremente. "Se o cidadão transgrede a lei penal mais de uma vez, ele está habilitado a sofrer o que chamamos de prisão preventiva, pois está reinterando uma conduta criminosa e viola a ordem pública. A pessoa que pratica um crime, pode até ser colocada em liberdade, a depender do crime, mas quando continua praticando, deveria estar presa, até para preservar os demais".

O MPE só entra no caso após a investigação realizada pela Polícia Judiciária Civil (Civil), que deve indiciar o suspeito pelos crimes de homicídio e estupro - além das qualificadoras.

O caso

A polícia foi acionada por vizinhos das vítimas, após as quatro não serem vistas ao longo do final de semana. Segundo o depoimento de Gilberto dos Anjos, o crime aconteceu entre a sexta-feira (24) e o sábado (25). Ele alegou ter invadido a residência pela janela do banheiro com a intenção de roubar a família.

Ele esfaqueou três vítimas e abusou sexualmente da mãe e duas filhas. A menina de 10 anos foi asfixiada, segundo nota da Polícia Civil.

Os corpos foram encontrados já sem vida e com ferimentos profundos, como cortes no pescoço. Depois de cometer o crime, Gilberto retornou para o terreno ao lado, onde passava a noite e trabalhava. Roupas sujas de sangue foram recolhidas dentro de um contêiner durante as investigações. Em uma sacola, o suspeito tinha guardado uma peça de roupa íntima de uma das vítimas.
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet