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Domingo, 16 de junho de 2024

Notícias | Criminal

ENTREGOU PLANILHA À PF

Empresário que confessou esquema de comércio ilegal de mercúrio afirmou que 'Dodo Escobar' era desorganizado

Foto: Reprodução

Na colagem, o ex-vereador Arnoldo Veggi, o Dodo Escobar

Na colagem, o ex-vereador Arnoldo Veggi, o Dodo Escobar

O empresário Willian Leite Rondon, proprietário da W.R. Engenharia e Construção Eireli, é apontado pela Polícia Federal, no bojo da Operação Hermes, como um dos financiadores da organização criminosa que promoveu a comercialização ilegal de mercúrio para garimpos no país. Ele chegou a receber quase R$ 1 milhão de Arnoldo Veggi, um dos líderes do grupo, que inclusive chegou a ser chamado de “Dodo Escobar”, em alusão ao falecido chefe do narcotráfico internacional, Pablo Escobar.


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De acordo com as investigações, Willian procurou a Polícia Federal para delatar o esquema, informando que sempre soube que Arnoldo Veggi, apontado como um dos líderes da organização, vendia mercúrio.

Willian teria adquirido importância na organização e ganhou confiança de Arnoldo, passando a ocupar lugar de sócio na administração da logística, financiamento e contabilidade, chegando a se tornar um dos principais fornecedores e compradores, responsável ainda por organizar remessas de mercúrio ilegal importado de outros países.

Depois de receber R$$ 904 mil como pagamento e lucro de seus investimentos ilegais, Willian teria se sentido enganado por “Dodo Escobar”, que era desorganizado financeiramente, o que motivou a fazer uma planilha entregue à PF, delatando toda fraude.
 
“Em outro diálogo entre ARNOLDO e WILLIAM, aquele informa que tinha acabado de chegar um pote de mercúrio da China, mostrando espanto porque 'a mulher declarou; veio com fatura e tudo mais; não parou em lugar nenhum', dando ensejo a que WILLIAM o chamasse de 'Dodo Escobar', em alusão ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar”, diz trecho da decisão que autorizou a Operação Hermes II, deflagrada nesta quarta-feira (8) pela PF.

Núcleos 

Suposta organização criminosa revelada pela Operação Hermes (Hg) II, da Polícia Federal (PF), seria dividida em seis núcleos. O esquema para importação, venda e uso irregular de mercúrio contava, segundo a PF, com fornecedores, sócios, financiadores, intermediários, compradores e operacionais. O Olhar Direto explica a seguir o funcionamento de cada grupo e revela os nomes indicados pela polícia como membros.

Fornecedores

No papel de fornecedores, ponto inicial identificado pela investigação, figuraria a empresa Metalms Indústria Brasileira de Metais (por meio de seus sócios, José Carlos Morelli e Ferdinando Morelli), que foi responsável pela venda demais de 500 kg de mercúrio ilegal, além de possuir créditos de mercúrio no sistema do Ibama, apto a legalizar toda a cadeia.
 
Sócios

 
No papel de sócios, que além de financiar também possuem poderes de administração e gerência, estariam Edilson Rodrigues de Campos, Tiago Mendonça Campos, William Leite Rondon, Ali Veggi Atala, Alberto Veggi Atala, Edgar dos Santos Veggi, Patrike Noro de Castro e Arnoldo Veggi.
 
Financiadores
 

Segundo a PF, durante as investigações, foi observado que, devido à grande demanda da organização criminosa e até mesmo uma desorganização contábil, em muitos momentos foi necessário buscar auxílio financeiro de amigos e parentes próximos para a manutenção do esquema criminoso, dentre os quais estariam: José Eduardo Miranda, Juliano Garruti de Oliveira, Edy Veggi Soares, Guilherme Motta Soares, Marcelo Coelho Miranda, Jeferson Dias Castedo e Marcos Vincícus Taques Arruda.
 
Intermediários

Os reais destinatários (donos de mineração) procuravam se manter distantes do vendedor de mercúrio justamente em razão da ilicitude, cabendo tal tarefa a seus gerentes e funcionários, que são apontados pela autoridade policial como sendo: Edemil Antonio de Pinho, Jeferson Dias Castedo, Brenner Ramos Dias, Francismar Cristiano Lima Formiga, Jenner Barcelos da Silveira, Moises Braz de Proença Junior, Jose Ribamar Silva Oliveira, Yussuf Jabbar Torre do Valle, Marllon Darllam Silva de Almeida, Walter Trimec, Rafael Martins Moreira dos Santos, Leonel Souza Volpato e Rafael Martins Moreira Santos.

Compradores
 
Segundo a PF, na maioria das vezes, o dono do garimpo (comprador final) não conversa diretamente com o fornecedor do mercúrio, “seja procurando se distanciar do ilícito, seja se afastar da substância tóxica comprada”. 

Os nomes citados são: Valdinei Mauro de Souza (Nei do ouro), Ronny Morais Costa, Marcelo Massaru, Filadelfo Dos Reis Dias, Marcio Macedo Sobrinho, Adão Afonso Rodui, Alain Estephanie Riviere (Francês), Antonio Vieira da Silva, João Flavio Martos, Antonio Jorge Silva Oliviera, Solange Luizão Barbuio Barbosa e Marcos Antonio Reis de Souza.
 
Ainda: Darcy Winter, Wanderley Facheti Torres, Helio Covezzi, Humberto Covezzi, Lysanser Lima de França, Orivaldo Barros, Gonçalo Barros, Catarino Barros, Euler Oliveira Coelho, Luis Antonio Taveira Mendes, Leonel Volpato, Luan Cesar Volpato, Sandro Sebastião Gomes da Silva, Valmir Volpato, Andre Luiz da Silva Molina, Ricardo Padilla Borbon Neves, Rodolpho do Carmo Ricci, João Victor Costa Soares e Brubeik Barcia Nascimento.
 
Operacionais

Foram identificados funcionários e ajudantes que realizavam declarações falsas no sistema do Ibama, transportavam, realizavam entregas e colaboravam diretamente na parte operacional para os ilícitos descritos. Aponta a autoridade policial: Rodrigo Castrillon Veiga, Andre Ponciano Luiz, Fabio Vieira do Nascimento, Felix Lopes Bress, Jefferson Dias Castedo, July Anny Lima do Carmo, Tatiana Melo Vitorino e Victor Hugo Lopes Bress.

Operação

A Polícia Federal e Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deflagraram, na manhã desta quarta-feira, a Operação Hermes (Hg) II, com o objetivo de apurar e reprimir crimes contra o meio ambiente, especialmente por meio do comércio e uso ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Os crimes em apuração estão relacionados ao contrabando e acobertamento de mercúrio, que tem por destino final o abastecimento de garimpos em áreas que compõem a Amazônia (Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará).

A Operação Hermes (Hg) I, deflagrada em dezembro de 2022, foi a maior operação policial do país deflagrada para desarticulação de uso ilegal de mercúrio e iniciou-se a partir da investigação de uma empresa com sede em Paulínia, que utilizava criminosamente de suas atividades autorizadas para produzir créditos falsos de mercúrio em sistema do IBAMA.

A partir da análise de milhares de fontes bases (documentos e dispositivos eletrônicos), durante mais de dez meses, a Polícia Federal identificou uma extensa cadeia organizada de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema ilegal de comércio de mercúrio e ouro extraído de garimpos na Amazônia e retirou sete toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do IBAMA.
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