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Sexta-feira, 14 de junho de 2024

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pirâmide financeira

Cobranças em ações contra empresária acusada de aplicar golpes ultrapassa R$ 3 milhões

Foto: Reprodução

Cobranças em ações contra empresária acusada de aplicar golpes ultrapassa R$ 3 milhões
A Polícia Federal (PF) está investigando um possível esquema milionário de pirâmide financeira em Cuiabá, envolvendo Taiza Tosatt Eleotério da Silva, Ricardo Mancinelli Souto Ratola e Diego Rodrigues Flores. Eles são apontados como parte da DT Investimentos ou TR Investimentos. Ricardo e Diego negam envolvimento e afirmam que a empresa era comandada apenas por Taiza.

 
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Taiza Tossat responde a mais de 15 ações na Justiça por conta de supostos valores devidos a clientes que contrataram seus serviços, em sua maioria sobre compra e venda de cotas sociais sob lucro. O valor das causas, somando todos os processos localizados pelo Olhar Jurídico, ultrapassa os R$ 3 milhões.

Além de Taiza, são também investigados pela PF os empresários Ricardo Mancinelli Souto Ratola e Diego Rodrigues Flores. Eles são apontados como parte da DT Investimentos ou TR Investimentos. Ricardo e Diego negam envolvimento e afirmam que a empresa era comandada apenas por Taiza. 

As promessas dos golpistas eram de retorno entre 5% e 6% para os investidores. Contudo, o pedido de restituição dos valores nunca foi atendido pelos suspeitos quando as vítimas solicitaram, restando a elas recorrerem à Justiça. 

Em uma das ações que tramita na 9ª Vara Cível de Cuiabá, pessoa identificada como C.D.C. entrou na justiça promovendo contra Taiza processo de execução por quantia certa contra devedor solvente, requerendo o pagamento de R$ 600 mil em virtude do não cumprimento de termo de acordo extrajudicial no valor de R$ 400 mil.

Os R$ 400 mil constantes no termo de acordo se deu em decorrência de uma poupança feita por C.D.C durante toda sua vida, onde Taiza e a empresa TR Investimentos prometeram e iludiram o mesmo a fazer investimento para obter ganhos com transação em operações de trading, qual seja, compra e venda de ações no mercado financeiro.

“Onde os mesmos prometeram ganhos extraordinários, não sabendo a vítima que na verdade que se tratava de um golpe”, apontou a defesa na ação.

Ocorre que não houve retorno do investimento, bem como Taiza e a empresa não devolveram o dinheiro da vítima. Além disso, após incansáveis tentativas de resolver a questão de forma amigável, as partes convencionaram um acordo extrajudicial. Contudo, o acordo extrajudicial não foi cumprido, ensejando a propositura da ação.

Conforme levantamento feito pelo Olhar Jurídico, o valor total das causas é de aproximadamente R$ 3.048.000 milhões oriundos dos golpes aplicados por Taiza e a TR Investimentos.

O modus operandi da suspeita é semelhante em todas as ações: as vítimas passam o dinheiro para Taiza sob a promessa de retornos e lucros extraordinários, superiores à 5%. Em alguns casos os valores são referentes ao que foi juntado durante toda a vida das vítimas. Ocorre que esses investimentos nunca voltam para os investidores.

E mesmo após incessantes tentativas de resolver a situação fraudulenta de forma amigável, com pactuação de acordos extrajudiciais, os acordos não são cumpridos pelos suspeitos.

“Todavia, há mais de cinco meses não foram mais realizados os pagamentos referentes ao pró-labore pactuado, juros, comissões, e outros consectários. Contudo, as Executadas foram procuradas e notificadas via Whatssap para pagarem o valor devido e realizarem a rescisão do Contrato, e por mensagens informaram que efetuariam o pagamento do valor investido acrescido dos ganhos e juros. Diante dos fatos acima mencionados, não restou alternativa que não fosse a presente ação de execução de título executivo extrajudicial, tendo em vista que todas as formas de cobrança extrajudicial já foram buscadas e sem o sucesso pretendido, buscando o credor receber os valores mencionados.” diz trecho de ação impetrada contra a suspeita por outra vítima.

Esquema de pirâmide 

O titular da Decon explicou nesta quinta-feira (9) que as pirâmides financeiras são criadas com promessas de ganho muito acima dos valores pagos pelo mercado financeiro, com juros que podem chegar a 8% por mês, sendo que, em alguns casos, os juros são diários. 

"Os operadores do esquema de pirâmide também prometem que os clientes que trouxerem novos investidores poderão ganhar bônus como juros, viagens, carros e coisas do tipo. Normalmente esses esquemas são montados com a promessa de que o dinheiro captado com os investidores vai ser investido em operações de compra e venda de ações de empresas, operações de forks, compra e venda de criptomoeda". 

Rogério destacou que uma das principais características de um esquema de pirâmide é não existir clareza sobre os investimentos. Os suspeitos prometem retorno acima do mercado, mas não há transparência sobre o serviço da empresa. 

De acordo com o delegado, é comum que as vítimas invistam em dinheiro vivo ou com entrega de bens como veículos, casas, terrenos e fazenda. Algumas chegam a passar todo o limite de cartão de crédito com a promessa de um bom retorno financeiro. 

"É muito comum o investidor passar todo o limite que possui no cartão de crédito e a empresa operadora da pirâmide financeira promete pagar os juros do cartão e as parcelas do cartão. Isso até acontece por um determinado período de tempo, porém, quando a pirâmide desmorona, ela deixa de pagar os investimentos e as pessoas que investiram sofrem um grande prejuízo". 

Defesa dos suspeitos 

Por meio de nota, o advogado Thiago Xisto Gris, que representa Diego, afirmou que ele nunca foi sócio da empresa TR Investimentos, vez que o nome dele não consta no contrato social que instituiu a empresa. A defesa afirmou ainda que Diego constava como sócio de Taiza e Ricardo na DT Investimentos, que "nunca foi devidamente registrada". 

"Que a empresa DT investimentos, em que ele constava como sócio, com Taiza e Ricardo teve existência apenas em data anterior a criação da empresa TR Investimentos e Intermediação Ltda., nunca foi devidamente registrada, sendo assim apenas uma sociedade de fato que em pouco tempo foi encerrada, para em seguida ser criada a TR Investimentos Intermediação Ltda, em que já não era mais sócio", diz trecho do posicionamento. 

Na nota, Xisto explicou que os contratos questionados foram assinados por Taiza que, em juízo, assumiu que Diego não é sócio da empresa. A defesa ressaltou que, nos processos em que Diego consta como réu, os devidos esclarecimentos estão sendo prestados ao Poder Judiciário. 

"Que todos os contratos questionados na justiça foram assinados pela senhora Taiza Tosatt Eleoterio Ratola, em data posterior a criação da empresa TR Investimentos Intermediação Ltda., que tem como sócios unicamente Taiza e Ricardo, alegando na literalidade do contrato ser ela enquanto pessoa física responsável pelo negócio jurídico, assumindo toda a responsabilidade unicamente em seu Cadastro de Pessoa Física". 

Segundo a defesa, atualmente a empresa está cadastrada com o nome de DT Investimentos, tendo Taiza como única sócia/responsável. 

Também por meio de nota, o advogado Jackson Nicola Maiolino, que representa Ricardo, afirmou que Taiza é a unica responsável e administradora tanto da DT Investimentos, quanto da TR Investimentos. De acordo com Maiolino, familiares de Ricardo também teriam sido vítimas de Taiza. 

A defesa de Ricardo ressaltou que Taiza era a recebedora dos investimentos e pagamentos, além de ser a única administradora. 

"Até o presente momento amargam prejuízos financeiros. Informamos ainda que o Sr. Ricardo Mancinelli Souto Ratola, jamais foi sócio da empresa DT investimentos, e que a Sra. Taiza Tosatt utilizou seu nome indevidamente em razão da sua função pública, para dar credibilidade nos negócios". 

A reportagem procurou Taiza, que afirmou estar "traumatizada" e que participaria de uma reunião com o advogado nesta quinta-feira (9), às 17h, para avaliar a melhor forma de se posicionar sobre o caso. 
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