Em uma decisão proferida em março de 2026, o Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá determinou a prisão preventiva de 13 suspeitos de integrarem um núcleo estruturado da facção Comando Vermelho (CV). A medida é o ponto central da Operação Ruptura CPX, que investiga crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, roubos e furtos qualificados na região do Residencial Isabel Campos, conhecido como "Complexo". O Olhar Jurídico traz a seguir a lista de alvos.
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A decisão judicial atendeu a um pedido da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e do Ministério Público, fundamentando-se na necessidade de interromper a reiteração delitiva e garantir a ordem pública. As investigações, que duraram meses, revelaram uma hierarquia rígida com divisão de tarefas, incluindo a logística de "mulas" para o tráfico interestadual e o uso de "laranjas" para ocultar bens de origem ilícita.
Lista dos alvos da decisão judicial
Conforme decisão judicial, foram alvos de mandados de prisão preventiva e busca e apreensão os seguintes indivíduos:
Antônio Luciano Galdino Santos (Ceará): apontado como o "gerente" ou "disciplina" da região, responsável por coordenar o tráfico, o comércio de armas e a aplicação de punições violentas, os chamados "salves".
Odanil Gonçalo Nogueira da Costa (MC Mestrão): identificado como propagandista ideológico do grupo e colaborador logístico, com forte ligação com a cúpula da facção no Rio de Janeiro.
Joel Aparecido da Silva (Pé Fofo): responsável por gerenciar contas bancárias de terceiros para o recebimento de valores de golpes e tráfico, cobrando comissões sobre as transações.
Sebastião da Silva Junior (Federal): atuava no recolhimento das taxas mensais dos membros da facção (conhecidas como camisas) e apresentava movimentações financeiras incompatíveis com sua renda.
Ana Flávia Garcia do Nascimento: atuava na logística interestadual de entorpecentes como "mula" e já possuía mandado de prisão anterior.
Ivanildo Santos dos Reis: responsável por coordenar a vigilância no Residencial Isabel Campos e gerenciar a ocupação de imóveis no local sob ordens da facção.
Romário Ângelo Dias (Gordinho): especialista em roubos de veículos de luxo e armazenamento de cargas roubadas.
Cleomar Alves Garcia (Corvo ou Gordo): focado em crimes patrimoniais (roubos) e tráfico de drogas.
Evair Lara Gomes (Família): atuava na gestão de pontos de venda de drogas, conhecidos como "lojinhas".
Fabiano Oliveira da Silva (Zé): membro com histórico em crimes graves como homicídio e roubo, foragido desde 2021.
Jefferson Oliveira do Nascimento (Jefinho): atuava em furtos e como intermediário financeiro para o grupo.
Dyoney Wesley Silva Flores (D.W): responsável pela difusão do estatuto da facção em grupos de mensagens e incitação a ataques contra rivais.
Ebner Amorim de Brito Júnior: Prestava suporte técnico e inteligência, monitorando o status de veículos roubados em sistemas do governo para o grupo.
Mandados
A justiça destacou que a prisão é necessária diante do “domínio territorial, da capacidade de intimidação coletiva, bem como do sofisticado modo de operação da organização”. Grande parte das evidências foi obtida através da extração de dados de celulares apreendidos, que revelaram áudios de planejamento de crimes, fotos de execuções de rivais e comprovantes bancários.