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Terça-feira, 21 de abril de 2026

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ESQUEMA

Mais de 37 mil toneladas de soja da cerealista Sagel entram no centro da Operação Safra Desviada

Foto: Reprodução

Joherberton e Felipe

Joherberton e Felipe

Mais de 37 mil toneladas de soja armazenadas em estruturas da empresa Sagel Comércio de Cereais, em Sorriso (MT), do empresário Felipe Faccio, passaram a ocupar posição central nas investigações da Operação Safra Desviada, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em Mato Grosso. 


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O volume foi identificado durante o cumprimento de mandados judiciais e consta em relatório de estoque apresentado nos autos. Conforme os documentos, “foram identificados elevados volumes de soja armazenados nas dependências da empresa Sagel, conforme relatório de estoque apresentado nos autos”.

A Operação Safra Desviada investiga um suposto esquema estruturado de desvio de grãos com atuação em diferentes etapas da cadeia do agronegócio, incluindo produção, armazenagem, transporte e comercialização. De acordo com a apuração, parte da produção seria retirada sem registro formal nos sistemas internos e posteriormente inserida em operações comerciais regulares, o que dificultaria a identificação do volume efetivamente desviado. 

Conforme consta na representação que originou a investigação, “o modus operandi consistia na inserção de cargas não contabilizadas em embarques formais destinados a tradings, dificultando a identificação do volume efetivamente desviado”.

Nesse contexto, a empresa Sagel e o  sócio-proprietário Felipe Faccio aparecem, segundo os documentos, como elementos relevantes na dinâmica operacional do esquema, especialmente na etapa de armazenagem e circulação dos grãos. A investigação aponta que empresas vinculadas ao empresário teriam participação recorrente nas operações analisadas. “Empresas vinculadas a Felipe Faccio aparecem de forma recorrente nas operações investigadas, integrando fluxos logísticos nos quais se identificou a inserção de cargas não registradas”, descreve o material.

Diante da impossibilidade de retirada imediata do produto encontrado nos armazéns, os grãos permaneceram no local, com formalização de depósito no curso da operação. A presença do volume expressivo reforça, segundo os investigadores, a dimensão das operações analisadas e a relevância econômica do caso. O total identificado, superior a 37 mil toneladas, representa uma quantidade significativa dentro da cadeia logística do agronegócio, equivalente a milhares de cargas de caminhões.

A investigação também aponta que parte dos grãos movimentados poderia ter sido transportada com divergência entre o peso real e o declarado em documentos fiscais, mecanismo que, segundo o GAECO, teria sido utilizado para viabilizar a circulação de cargas sem lastro formal.

A Operação Safra Desviada segue em investigação, com análise de documentos, contratos e movimentações financeiras relacionadas às operações investigadas.
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