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Sexta-feira, 10 de abril de 2026

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Juiz prorroga inquérito em ação que cassou filha de Éder por caixa 2 e compra de votos em 2024

Foto: Reprodução

Juiz prorroga inquérito em ação que cassou filha de Éder por caixa 2 e compra de votos em 2024
O juiz eleitoral Alexandre Paulichi Chiovitti, da 30ª Zona Eleitoral de Santo Antônio de Leverger, determinou a prorrogação por 30 dias do prazo para conclusão do Inquérito Policial que apura suposta compra de votos nas eleições de 2024 em favor da filha do ex-secretário de Estado, Éder Moraes Dias, a vereadora cassada Monnize da Costa Dias Zangeroli (União).


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A decisão, publicada em fevereiro, atendeu pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que requereu a devolução dos autos à autoridade policial para realização de diligências complementares, sobretudo em relação à Caetano da Silva, cujas buscas em sua residência encontraram diversos materiais, santinhos e anotações que demonstram o suposto esquema de negociação de sufrágio.
 
O inquérito investiga, em tese, o crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, que trata da compra de votos. São investigados Caetano da Silva, Éder de Moraes Dias, Edson da Silva e Monnize da Costa Dias Zangeroli.

Documentos apreendidos com os investigados indicariam a existência de anotações com nomes, valores pagos e quantidade de votos supostamente negociados, além de recibos eleitorais, comprovantes de pagamento e notas fiscais. O material será submetido a análise complementar para verificação de eventual vínculo com prática ilícita.

A autoridade policial havia encaminhado relatório circunstanciado das diligências já realizadas, com juntada de depoimentos, com o juiz entendendo que se trata de relatório parcial, diante do pedido de prorrogação para continuidade das investigações.

Na decisão, o magistrado destacou que as investigações ainda não foram esgotadas e que cabe ao Ministério Público a condução da atividade investigatória, autorizando a dilação do prazo para completa elucidação dos fatos. Ao final dos 30 dias, a polícia deverá apresentar relatório conclusivo e encaminhar o inquérito ao Ministério Público Eleitoral para manifestação.

Em julho de 2025, o juiz eleitoral Raul Lara Leite cassou o mandato da vereadora Monnize da Costa Dias Zangeroli, eleita em Diamantino, por compra de votos, uso de caixa dois e abuso de poder econômico nas eleições de 2024.

A decisão também declarou a inelegibilidade por oito anos de Monnize e de seu pai, Éder de Moraes Dias, ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, além de fixar multa solidária de R$ 53.205,00. A sentença determinou ainda a anulação dos votos obtidos pela candidata e a recontagem para o cargo de vereador no município.

Na ocasião, a Justiça considerou que anotações apreendidas, valores em espécie e depoimentos confirmaram a prática de captação ilícita de sufrágio e a existência de contabilidade paralela. A defesa negou as acusações e informou que recorreria da decisão.

O novo inquérito tramita paralelamente e busca aprofundar a apuração sobre possível esquema de compra de votos envolvendo os investigados.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em Diamantino foi ajuizada por Edmilson Freitas Almeida contra Monnize e Éder, acusado de coordenar e operar financeiramente a campanha dela.

A denúncia apontou que no dia anterior à eleição, em 5 de outubro de 2024, Éder foi flagrado num quarto de hotel com R$ 6 mil em espécie. Com ele, a polícia apreendeu ainda um celular e um caderno com anotações detalhadas sobre a contabilidade paralela de controle de compra de votos, pagamento de militantes e orçamento muito superior ao teto legal. As buscas se estenderam à Caetano.

O ex-secretário e sua filha negaram veementemente as acusações e argumentaram que o dinheiro vivo era para pagar a hospedagem do Hotel Villa dos Parecis e as anotações eram apenas planejamentos de campanha.

Porém, o juiz considerou que as provas colhidas na investigação demonstraram que pai e filha teriam cometido os crimes eleitorais em questão. Todas as preliminares foram rejeitadas e, no mérito, houve procedência do pedido contido na ação.

O juiz examinou caso a caso. Sobre o “caixa 2”, anotou que a contabilidade paralela apreendida no caderno de Éder, contendo detalhes de nomes, valores e assinaturas, desmentiram sua versão de que seriam projeções.

O caixa paralelo também foi comprovado por despesas simuladas, como o registro de R$ 1.080,00 para "M.L." no caderno, enquanto a prestação de contas oficial declarou apenas R$ 480,00, e a própria testemunha negou ter trabalhado ou recebido qualquer valor.

Além disso, houve gastos omitidos, como a ausência de registro de despesas com camisetas de campanha ("Desenvolve Diamantino") encontradas no veículo de Eder e amplamente utilizadas, cuja origem ele não soube justificar documentalmente.

Sobre compra de votos, Raul Lara Leite cruzou os dados das anotações com depoimentos de testemunhas que confirmaram a captação ilícita de sufrágio: dentre os escritos, havia: “20 votos: R$ 5 mil”. O magistrado também rechaçou o depoimento prestado por um policial em favor de Éder, o qual alegou que sua rubrica no “caderninho” seria apenas uma brincadeira. Justificativa frágil, anotou o juiz.
 
Os seis mil reais em dinheiro vivo, fracionados em pequenas notas a um dia do pleito, sem justificativa plausível, já que um funcionário do hotel disse que eles não recebiam diárias em espécie, também fizeram o juiz considerar a prática da compra de votos.

Em relação ao abuso de poder, o magistrado pontuou pela quantidade de dinheiro envolvida, com gastos entre R$ 250 e R$ 300 mil.  A responsabilidade de Éder e da filha, então, foi considerada “inequívoca e multifacetada”, já que confessou ter atuado como o operador e coordenador da campanha, detendo o controle da administração financeira para a filha.

Diante disso, o juiz julgou totalmente procedentes os pedidos da ação e cassou o diploma de Monnize e declarou a inelegibilidade de ambos por oito anos. Eles ainda deverão pagar, juntos, multa de R$ 53.205,00. Na sentença, o juiz ainda anulou os votos que ela recebeu e remeteu o caso ao Tribunal para recontagem da totalização dos resultados para o cargo de vereador de Diamantino.

Monnize foi eleita pelo quociente partidário com 377 votos e seguirá no cargo até que a sentença, que cabe recurso, transite em julgado. Seu pai é um velho conhecido da política e Justiça mato-grossenses, ostentando no currículo, até 2020, penas em mais de 180 anos pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, denunciados na Operação Ararath.

Dentre as denúncias está a que o Ministério Público Federal acusa o ex-secretário Éder de Moraes de usar os cargos públicos ocupados nas gestões dos ex-governadores Blairo Maggi (PP/2003-2010) e Silval Barbosa (MDB/2010-2015), entre setembro de 2010 e maio de 2013, para quitar um empréstimo de R$ 20 milhões contraído pelo grupo político com uma instituição financeira clandestina.

Monnize e Éder recorrem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra a cassação. Ela segue no cargo enquanto não houver o trânsito em julgado.
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