O vereador afastado Chico 2000 (sem partido) tirava dúvidas do próprio salário com o seu então chefe de gabinete Rubens Vuolo Junior, conhecido como Rubinho. Ambos estão afastados do cargo por determinação da Justiça, no âmbito da Operação Gorjeta. As informações constam em relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) que embasou a deflagração da ação policial.
Leia também
Polícia afirma que Chico 2000 atuava como dono de peixaria e não na função de garçom, como declarou em plenário
Segundo o documento, Rubinho é descrito pelos investigadores como pessoa de extrema confiança de Chico. No Portal da Transparência, consta que ele iniciou os trabalhos ao lado do vereador em 1º de janeiro de 2016, exercendo funções de chefe de gabinete ou de secretário de Gestão Administrativa da Câmara Municipal, mantendo vínculo direto com o parlamentar por mais de nove anos.
Durante a análise de mensagens extraídas de aplicativos de conversa, a Polícia Civil identificou que Chico recorria a Rubinho até mesmo para esclarecimentos sobre a composição do próprio salário. Um dos diálogos destacados no relatório é datado de 27 de janeiro de 2025, quando o vereador encaminha ao então chefe de gabinete a imagem de um extrato bancário, aparentemente referente ao seu pagamento pela Câmara Municipal, e questiona: “o que é isso? O que está faltando?”.
Na sequência da conversa, conforme descrito no relatório policial, Rubinho explica que os valores creditados diziam respeito à verba indenizatória e a complementos salariais relacionados à participação do vereador em comissões legislativas.
Na sequência, Chico questiona: “E o complemento do salário com as comissões? Previsão?”. Na sequência, Rubinho o tranquiliza: “Até amanhã paga”.
As mensagens analisadas fazem parte do conjunto de provas reunidas pela Deccor no âmbito da Operação Gorjeta, que apura um suposto esquema criminoso envolvendo desvio de recursos públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos e terceiros ligados ao vereador afastado.
O relatório que detalha a relação entre Chico 2000 e Rubens Vuolo Junior também contextualiza outras frentes da investigação. Conforme já revelado, os investigadores apontam que, apesar de o parlamentar ter afirmado publicamente que trabalhou como “garçom” durante período de afastamento na Operação Perfídia, diligências realizadas pela Polícia Civil indicam que ele atuava, na prática, como proprietário de um restaurante no bairro São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá.
De acordo com a Deccor, equipes policiais estiveram in loco na Peixaria Água na Boca e observaram que Chico dava ordens a funcionárias, acompanhava a rotina do estabelecimento e exercia funções típicas de gestão. O relatório também aponta conversas em que o vereador orienta reformas, trata com prestadores de serviços e realiza transferências via PIX para despesas do restaurante, o que, segundo os investigadores, reforça a suspeita de tentativa de ocultação patrimonial.