A Justiça autorizou a polícia fazer uma varredura nos dados telemáticos contidos nos aparelhos eletrônicos do investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, que foi preso neste domingo (1º) acusado de estuprar uma mulher detida na Delegacia de Sorriso (397 km de Cuiabá).
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O caso tramita sob segredo e a informação da quebra de sigilo dos dados de Manoel foi confirmada pela delegada que preside as investigações contra ele, Laísa Crisóstomo de Paula Leal. O objetivo é confirmar se Manoel fez outras vítimas e se ele já agiu desta forma em outras ocasiões dentro da delegacia.
O policial, que recebe um salário mensal de R$ 21, 9 mil, continuará recebendo os vencimentos até o trâmite do processo disciplinar. A prisão ocorreu após cerca de 50 dias da denúncia, que foi investigada com coleta de material genético que apontou sua participação no crime.
De acordo com a delegada, exames de DNA foram determinantes para a identificação do suspeito. Ela disse que durante a investigação foi realizada a coleta de material genético de todos os policiais que estavam de plantão no dia do crime, e o confronto com o DNA encontrado na vítima apontou para um dos agentes.
“(...) Um deles [policiais] testou positivo. O resultado foi que ele era contribuinte, tinha DNA masculino, naquele material coletado da vítima”, afirmou a delegada em entrevista à imprensa local.
A investigação concluiu que o crime ocorreu dentro da unidade policial. Com o resultado positivo no exame de DNA, foi expedido mandado de prisão, além de busca e apreensão.
Foram apreendidos colete, armamento, algemas e outros materiais pertencentes à Polícia Civil que estavam em posse do policial.
Em suas declarações, a delegada destacou que a polícia não tolerará crimes cometidos por agentes. “Não é por se tratar de um policial que nós vamos fingir que nada aconteceu. Isso mancha a imagem da nossa polícia. Estamos vindo a público para denunciar uma falha, uma falha ocorrida no interior da nossa unidade”.
“Qualquer conduta ilegal que for praticada na delegacia de Sorriso, tanto eu quanto os demais delegados, ninguém vai passar pano. Não somos coniventes com esse tipo de atitude. Nós vamos apurar, investigar e, constatando os fatos, vamos cortar o mal pela raiz.” O suspeito está preso e passará por audiência de custódia.