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Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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Polícia afirma que Chico 2000 atuava como dono de peixaria e não na função de garçom, como declarou em plenário

Polícia afirma que Chico 2000 atuava como dono de peixaria e não na função de garçom, como declarou em plenário
Investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) apontam que, apesar de o vereador afastado Chico 2000 (sem partido) ter afirmado publicamente que trabalhou como “garçom” em uma peixaria enquanto esteve afastado do mandato no âmbito da Operação Perfídia, indícios colhidos pelos investigadores apontam que ele atuava, na prática, como proprietário do restaurante. Os investigadores apontam a tentativa dele em ocultar propriedades.


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As informações constam em relatório policial que embasou a deflagração da Operação Gorjeta e ao qual a reportagem teve acesso em primeira mão. Segundo o documento, equipes da Deccor realizaram diligências na Peixaria Água na Boca, localizada no bairro São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, e observaram que Chico 2000 dava ordens às funcionárias, acompanhava a rotina do negócio e se comportava como responsável direto pelo funcionamento do local.
 
Durante a vigilância, os investigadores registraram imagens do parlamentar afastado no estabelecimento e relataram que ele exercia funções típicas de gestão. Apesar disso, na Junta Comercial, a peixaria aparece formalmente registrada em nome de uma mulher, que não aparece como investigada, o que, para a Polícia Civil, pode indicar tentativa de ocultação da real propriedade do empreendimento.
 
O relatório também destaca conversas extraídas de aplicativos de mensagens entre Chico 2000 e uma mulher, apontada como sua namorada. Nos diálogos, segundo a Deccor, o vereador orienta reformas no restaurante, trata diretamente com prestadores de serviços e arca com despesas do local. Em uma das mensagens, ele chega a enviar um PIX, informando que o valor seria destinado a “compras para o restaurante Água na Boca”.
 
Além da peixaria, os investigadores apuraram informações relacionadas à Pousada Estância Águas da Chapada, que possui cozinha estruturada, mas, segundo resposta obtida por meio de contato comercial, não disponibiliza alimentação e bebidas ao público. O foco principal da apuração, no entanto, recaiu sobre a peixaria ligada ao vereador.
 
“Para evitar depressão”
 
A Polícia Civil chama atenção ainda para a contradição entre os dados apurados e declarações públicas feitas por Chico 2000. Ao retornar à Câmara Municipal, após 126 dias afastado por decisão judicial na Operação Perfídia, ele afirmou na tribuna que havia trabalhado como garçom para se manter ocupado durante o período.
 
“Arrumei um emprego de garçom e trabalhei como garçom 125 dias na melhor peixaria desta cidade”, declarou o parlamentar à época, ao se referir ao Restaurante Água na Boca.
 
Para os investigadores, no entanto, as diligências e os registros documentais indicam cenário distinto. “Apesar de deixar transparecer ao público que atuava como garçom, constatamos que ele se comportava como verdadeiro proprietário do estabelecimento”, aponta o relatório, que ressalta a suspeita de tentativa de ocultação patrimonial.

 
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