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Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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DEFESA PEDIU ACESSO ÀS PROVAS

Audiência para inquirir casal de fazendeiros e militares acusados pelo assassinato de Nery é reagendada

Foto: Reprodução

Casal Julinere e Cesar; na colagem, Renato Nery

Casal Julinere e Cesar; na colagem, Renato Nery

Atualizada às 09h33 - O juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, remarcou para março as audiências de instrução para inquirir o casal de produtores rurais, Julinere Goulart Bentos e Cesar Sechi, acusado de encomendar o assassinato do advogado Renato Nery, executado a tiros em julho de 2024, na capital. Ato também foi designado para oitiva dos militares que respondem por intermediar o crime, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Santos Ferreira.


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Em ordem proferida nesta segunda-feira (2), o magistrado acatou pedido feito pela defesa de Jackson, patrocinada pelos advogados Renato Carneiro e Leonardo Salles, que solicitou a mudança na data para que pudesse ser franqueada ao acesso irrestrito aos documentos e elementos probatórios de todos os processos correlatos que envolvem a morte de Nery.

“Em síntese: se o acervo já existe e foi utilizado para embasar a denúncia, não pode permanecer oculto sob o rótulo genérico de “diligências em curso”, sob pena de institucionalizar assimetria informacional permanente e cerceamento de defesa continuado. Em resumo, o simples fato de se manter “oculto” o acervo probatório à Defesa já configura nulidade e produz prejuízo concreto e atual, sobretudo quando se está a poucos dias do início da instrução, ocasião em que a paridade de armas e o acesso a íntegra das investigações deveriam estar plenamente restabelecidos.”, anotou a defesa de Jackson.

Examinando o requerimento, o juiz verificou que, de fato, as partes não tiveram acesso total aos autos dos procedimentos paralelos e, por isso, deferiu para evitar futuras alegações de nulidades por cerceamento de defesa. Com isso, mudou a data da audiência de instrução que aconteceria hoje para os dias 2 e 3 de março.
Na primeira sessão, dia 2 de março, às 8h30, serão ouvidas as testemunhas de Ícaro e Jackson. No dia seguinte, mesmo horário, as testemunhas do casal e, por fim, nos dias 4 e 5, os réus serão interrogados. O juiz deu dez dias para que as defesas se preparem, e cinco dias para o Ministério Público apresentar todos os autos correlatos, informando a relação completa de todos os procedimentos investigatórios e cautelares relacionados a esta ação penal.


O advogado Renato Nery foi assassinado a tiros no dia 5 de julho. A motivação do crime está atrelada a uma disputa de 12 mil hectares de terras, avaliados em mais de R$ 40 milhões. O casal mandante do crime, Cesar Sechi e Julinere Goulart, está preso. Eles compõem o “núcleo de comando”, que agiu contrariado pela vitória de Nery na briga fundiária. Julinere confessou que tramou a execução depois de não aguentar mais seu marido reclamar que Nery havia roubado suas terras. Jackson, por sua vez, mora no mesmo condomínio que o casal, em Primavera do Leste. Foi então que ele se inseriu na trama.

As investigações concluíram que Jackson e Ícaro intermediaram o assassinato, sendo o primeiro como o principal intermediário entre o casal mandante, e o núcleo executor composto pelo também agente militar Heron Teixeira e o seu caseiro, Alex Cardoso. Foi Jackson que ofereceu o “serviço” a Heron mediante R$ 200 mil.

Além de oferecer a grana pela cabeça de Nery, a mando do casal, Jackson também repassou informações cruciais aos executores: como o endereço do escritório, horários de deslocamentos e detalhes da empreitada.

Ícaro, também da Rotam, forneceu a arma usada na execução: uma Glock adaptada, modelo G17, calibre 9mm, automatizada para disparos em rajada. Ele a entregou a Heron no próprio batalhão, em Cuiabá. Importante ressaltar que a arma em questão e as munições eram da PM, o que, para os promotores, evidenciou uma estrutura criminosa dentro da corporação.

Além disso, Ícaro agiu como intermediador financeiro: Jackson lhe entregou dois envelopes com R$ 40 e R$ 50 mil, vivos, e ele repassou o montante a Heron em notas de duzentos e cem reais no bairro Chapéu do Sol, Várzea Grande, depois da execução. Quem puxou o gatilho na manhã do dia 5 de julho foi o caseiro de Heron, Alex Roberto de Queiroz Silva (já denunciado), que se posicionou em frente ao escritório de Nery e efetuou sete disparos em modo rajada (automático) direcionados à sua cabeça, surpreendendo-o e dificultando sua defesa.
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