“Greve é legal, ilegal é vender sentença”. O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinjusmat) afirmou que vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça (TJMT), que proibiu a categoria de realizar qualquer movimento grevista sob pena de multa de R$ 200 mil e corte nos salários dos funcionários públicos. No começo de janeiro, os servidores deliberaram ato de greve para esta quinta-feira (21) e eles estão protestando em frente à Assembleia Legislativa desde às 8h.
Leia mais
Juíza nega envolvimento no feminicídio cometido pelo marido e diz que afastamento ocorreu por questões administrativas
Geane Lima Teles, presidente em exercício do Sinjusmat, juntamente com Carmem Machado, presidente da federação, estão liderando a concentração do ato em frente à Casa de Leis. À imprensa, Geane disse que “greve é legal. Ilegal mesmo é vender sentença".
"Nós somos preventivos e nós somos pessoas que também preocupam com a saúde financeira. Então nós vamos chamar os nossos servidores e pontuar para eles aquilo que for melhor. Mas isso não significa que nós não vamos nos calar. Nós vamos resistir, seja aqui ou seja em Brasília”, afirmou.
Geane pontuou ainda que, enquanto a categoria manifesta suas reivindicações, a Corte está aumentando o número de juízes, enquanto estagiários fazem o serviço de gestor, e não há chamamento de novos servidores aprovados em concurso.
“Tem um concurso em vigência, precisando das comarcas, precisando de servidor. Enquanto a mão de obra é barata, paga com uma bolsa de menos de 1.400 reais. E aí nós estamos fazendo o que? Tirando esse perfil de gestor. Vai precisar chamar os concursados. Que é isso que a gente precisa. De servidor público. Gerindo a máquina. Servidor público faz a diferença. Então é isso que a gente está precisando aqui”, completou Geane.
No último dia 8, os servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso decidiram deflagrar greve geral a partir do dia 21 de janeiro de 2026. Segundo nota divulgada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (Sinjustamat), a medida é uma resposta à desvalorização sistemática da categoria e ao que o sindicato descreve como omissão da gestão do Tribunal de Justiça (TJMT), especialmente na não concessão do reajuste de 6,8% nos salários da categoria.
Um dos estopins da crise foi a postura do Tribunal diante do reajuste linear de 6,8%. Embora aprovado pela Assembleia Legislativa, o índice foi vetado pelo governador sem que o TJMT oferecesse resistência política para garantir o direito dos servidores – o que causou desgaste entre os funcionários e a gestão do presidente José Zuquim.
O sindicato destaca uma contradição de prioridades: enquanto a valorização de 3.500 servidores concursados foi deixada de lado, o Tribunal articulou em apenas um mês a criação de 400 cargos comissionados, cujo impacto financeiro consome quase metade do que seria necessário para contemplar toda a categoria.
Foi então que, nesta segunda-feira (19), o desembargador Rodrigo Curvo proibiu o Sindicato de realizar o ato grevista sob pena de multa de R$ 200 mil por dia à entidade, bem como de desconto na remuneração dos funcionários públicos da Corte.
Curvo fundamentou sua ordem diante de possível ilegalidade do movimento, já que o sindicato deliberou pela paralização antes mesmo de possíveis negociações, não apresentou documentos formais e, sobretudo, não elaborou um plano concreto de manutenção dos serviços essenciais enquanto houvesse o ato grevista.
O magistrado enfatizou ainda que a paralisação causaria danos graves à prestação jurisdicional, especialmente por coincidir com o retorno dos prazos processuais, marcado justamente para esta quinta-feira (21), data prevista para a greve.
Diante disso, a liminar determinou a interrupção imediata do movimento sob pena de multa diária de R$ 200 mil ao Sindicato e autorizou o desconto dos dias parados. A ordem também proíbe qualquer tipo de obstrução física ou constrangimento aos funcionários que optarem por trabalhar regularmente.