O juiz Luís Otávio Tonello dos Santos, da 2ª Vara de São Félix do Araguaia, manteve a prisão e ordenou que Calil Moreira Nunes seja submetido ao Tribunal do Júri pelo feminicídio da sua ex-companheira Maquiane de Brito Arruda, cometido em agosto de 2024, em Novo Santo Antônio, na frente das filhas do casal.
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Em ordem publicada nesta terça-feira (13), o magistrado negou pedido de liberdade feito pela defesa do feminicida, fundamentando a ordem na brutalidade do ato, ocorrido diante da mãe e dos filhos da vítima, motivado porque ele não aceitava o término da relação com ela.
A defesa tentou desclassificar a conduta para homicídio simples ou revogar a prisão preventiva, alegando falta de dolo específico e bons antecedentes do réu. Contudo, o juiz manteve a acusação original por considerar que existem provas sólidas da materialidade e indícios claros de autoria motivada por questões de gênero, como o testemunho da mãe de Maquiane, que presenciou o réu chegando na casa dela para o intento, bem como o histórico agressivo dele em relação a ela.
O processo foi encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri, mantendo-se a custódia cautelar do acusado para garantir a ordem pública.
O suspeito estava com mandado de prisão em aberto desde o dia 28 de agosto, quando cometeu o crime, e permaneceu foragido até o dia 5 de setembro, quando se entregou na delegacia de Novo Santo Antônio.
De acordo com o boletim de ocorrência, Maquiane retornava da igreja acompanhada da filha e da mãe, por volta das 21h, quando Calil chegou em uma caminhonete.
Armado com uma faca de açougueiro, ele abordou a mãe da vítima, perguntando sobre o paradeiro de Maquiane. Ao perceber que ela estava na residência, o criminoso a perseguiu, atacou e desferiu pelo menos seis facadas, na frente da filha.
Após o crime, ele fugiu. Segundo as investigações, Calil não aceitava o término do relacionamento e vinha perseguindo a vítima, praticando violência psicológica e física, tendo, inclusive, invadido a casa dela anteriormente e queimado suas roupas e documentos irresignado pelo rompimento.
Em depoimento ao qual a reportagem teve acesso, o então ajudante de serviços gerais confessou ter matado Maquiane, mas alegou que não tinha intenção de tirar a vida da vítima. Segundo ele, o crime ocorreu após uma discussão, quando “perdeu o controle”. Tais argumentos, contudo, não foram suficientes para colocá-lo em liberdade ou impedir sua submissão ao júri.