O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa de Vanderson Alves Nunes, réu em ação penal decorrente dos atos antidemocráticos de janeiro de 2023, preste esclarecimentos sobre o descumprimento de medidas cautelares. A decisão, assinada em 10 de janeiro de 2026, ocorre após a Coordenadoria de Monitoramento Eletrônico de Mato Grosso reportar uma violação de perímetro no uso da tornozeleira eletrônica, ocorrida em 19 de dezembro de 2025. Vanderson é conhecido como Vandinho Patriota e afirma ser pré-candidato a deputado estadual em 2026.
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Vanderson Alves Nunes é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de participação em acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde teria incitado as Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais e integrado associação criminosa. Ele foi preso em flagrante no dia 9 de janeiro de 2023 e obteve liberdade provisória dez dias depois, em 19 de janeiro de 2023, mediante o cumprimento de uma série de restrições.
Entre as medidas impostas para que o réu pudesse responder ao processo fora da prisão estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de ausentar-se de sua comarca (município de residência), o recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana, além da suspensão de porte de armas e proibição de uso de redes sociais.
Segundo o despacho do ministro relator, os advogados de Nunes têm o prazo de cinco dias para justificar a irregularidade apontada pelo monitoramento eletrônico. Caso a explicação não seja aceita ou não seja apresentada, o réu poderá ter a prisão preventiva decretada imediatamente, conforme prevê o Código de Processo Penal.
A denúncia oferecida pela PGR aponta que Nunes, natural de Nortelândia (MT), associou-se a um grupo que buscava "praticar crimes contra o Estado Democrático de Direito e incitar as Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais". Embora a investigação não tenha confirmado sua presença direta na Praça dos Três Poderes durante as depredações, a acusação sustenta que ele permaneceu mobilizado no acampamento do Setor Militar Urbano, aderindo aos fins ilícitos do grupo.
Segundo trecho da decisão do Ministro Alexandre de Moraes, o monitoramento reportou a “violação da área de inclusão do monitoramento eletrônico, ocorrida em 19/12/2025”.
Além dos esclarecimentos sobre a tornozeleira, a defesa também foi intimada a apresentar suas alegações finais no prazo de 15 dias. Se o prazo expirar sem manifestação, o réu passará a ser defendido pela Defensoria Pública da União.
Vídeo recente
O pré-candidato publicou vídeo recentemente nas redes sociais em que protagoniza um debate com um homem aparentemente em situação de rua, que seria apoiador do presidente Lula (PT), em Cuiabá. Ao passo que os ânimos vão se exaltando na conversa, o interlocutor dá uma invertida no político. “Moro na rua, mas não sou tornozelado”, dispara. O pré-candidato então afirma que carrega o aparelho de monitoramento com orgulho.