Será apurada a conduta da polícia na prisão de Raffael Amorim Brito, um dos criminosos mais procurados de Mato Grosso, membro do Comando Vermelho e responsável por assassinar o sargento da Polícia Militar Odenil Alves Pedroso. Brito foi detido na última semana em uma operação do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar do Rio de Janeiro na cidade de Itaboraí-RJ e alega que foi torturado na captura. Raffael estava foragido há quase dois anos.
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Assim que foi preso, Raffael foi levado à 76ª delegacia, em Niterói. Antes da custódia, passou por exame de corpo de delito e não informou que havia sofrido violência. Mas a situação mudou na custódia, onde relatou ter sido vítima de tortura por parte dos policiais que o prenderam.
Na decisão assinada pela juíza Priscilla Macuco Ferreira foi determinado que o preso passasse por segundo exame de corpo de delito e o laudo encaminhado para que a corregedoria apure a conduta dos policiais, caso seja atestada a violência.
“Destaco que o exame deverá ser realizado após o encerramento desta audiência, na data de hoje, com a finalidade de assegurar o registro dos vestígios, tudo nos termos do art. 161 do Código de Processo Penal, ainda que o laudo seja juntado posteriormente. Com a juntada, encaminhe-se cópias dos autos para a Promotoria de Justiça que atua junto à Auditoria Militar, para a Promotoria de Investigação Penal e para a Corregedoria da Polícia Civil e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, bem como encaminhe-se cópia da assentada para a 2ª Vice-Presidência do TJRJ, valendo a assentada como ofício”, diz trecho da decisão.
Até o momento, não há informações se o laudo do exame de corpo de delito tenha atestado se de fato as torturas que Raffael denunciou realmente tenham acontecido. A reportagem já noticiou que o faccionado alega que foi espancado e que desmaiou com um saco na cabeça.
O caso
O sargento foi morto a tiros na noite do dia 28 de maio de 2024, em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Morada do Ouro. O policial estava no local realizando serviço extra, fora do horário normal de trabalho, quando foi surpreendido pelo criminoso.
De acordo com as investigações, o autor do crime chegou ao local em uma motocicleta, se aproximou da vítima e efetuou disparos à queima-roupa, atingindo principalmente a região da cabeça do sargento. Após o ataque, o suspeito fugiu levando a arma de fogo do policial.
Odenil chegou a ser socorrido em estado grave e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. O sargento era lotado no 3º Batalhão da Polícia Militar e integrava a corporação desde 1998.