Os servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso decidiram deflagrar greve geral a partir do dia 21 de janeiro de 2026. Segundo nota divulgada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (Sinjustamat), a medida é uma resposta à desvalorização sistemática da categoria e ao que o sindicato descreve como omissão da gestão do Tribunal de Justiça (TJMT).
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Reajuste Salarial
Um dos estopins da crise foi a postura do Tribunal diante do reajuste linear de 6,8%. Embora aprovado pela Assembleia Legislativa, o índice foi vetado pelo governador sem que o TJMT oferecesse resistência política para garantir o direito dos servidores.
O sindicato destaca uma contradição de prioridades: enquanto a valorização de 3.500 servidores concursados foi deixada de lado, o Tribunal articulou em apenas um mês a criação de 400 cargos comissionados, cujo impacto financeiro consome quase metade do que seria necessário para contemplar toda a categoria.
Desigualdade no pagamento de passivos
A categoria denuncia o descumprimento da Resolução nº 01/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A norma determina que o pagamento de passivos deve ser proporcional, destinando 70% para servidores e 30% para magistrados. Segundo o Sinjusmat, essa regra jamais foi respeitada pelo TJMT, o que evidencia falta de transparência e um tratamento desigual dentro da instituição.
Quebra de Acordos
A greve também é impulsionada pelo não cumprimento de compromissos formais assumidos pela presidência do Tribunal. Estão pendentes pagamentos cruciais, como:
• Parcela de Irredutibilidade de Vencimentos (PIV);
• Diferenças de abono de permanência;
• Bônus por produtividade (Selo Diamante);
• Outras verbas compensatórias acordadas previamente.
Pautas Estruturantes e Inegociáveis
Além das questões imediatas, os servidores exigem reformas na carreira previstas no art. 68 da lei 8814/2008 (SDCR), que exige revisões periódicas. Entre os pontos considerados inegociáveis estão a mudança nos critérios de interstício para progressões e a elevação de níveis na tabela salarial, medidas que vêm sendo sucessivamente postergadas pela administração.
Estado de Negociação
Apesar da confirmação da greve, a categoria decidiu manter um canal de diálogo aberto em respeito à mediação da desembargadora Nilza Pôssas de Carvalho, que tem atuado na defesa dos direitos dos servidores. O sindicato ressalta que a paralisação pode ser evitada, desde que o Tribunal apresente respostas concretas, prazos definidos e solucione os pontos estruturantes da pauta.