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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

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alvo de acusações

Diretor da Penitenciária Ferrugem já foi denunciado em 2022 por tortura conhecida como 'Garfo do Capeta'

Diretor da Penitenciária Ferrugem já foi denunciado em 2022 por tortura conhecida como 'Garfo do Capeta'
Alvo principal de um recente relatório que aponta a existência de um poder paralelo na Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como “Ferrugem”, em Sinop, o atual diretor da unidade, Adalberto Dias de Oliveira, já havia sido denunciado em 2022 por supostos atos irregulares praticados no interior do presídio. O processo menciona a utilização de uma forma de tortura conhecida como “Garfo do Capeta”, na qual a pele da vítima é atingida por um composto de vela que exala gás de pimenta.


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Em 2022, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso ofereceu denúncia contra Adalberto Dias de Oliveira, agente penitenciário, e outros nove servidores. As acusações referem-se à prática de atos de sofrimento físico e mental contra pessoas privadas de liberdade, por meio de condutas não previstas em lei, que teriam ocorrido entre os anos de 2019 e 2020.

Adalberto é denunciado especificamente no chamado "fato 24". De acordo com a denúncia, entre setembro de 2019 e dezembro de 2020, na Penitenciária Ferrugem, o agente, juntamente com Paulo Cézar de Souza e Marcelo Sales Rodrigues, teria submetido o detento Adailton Rodrigo dos Santos Alves a intenso sofrimento físico e psicológico.

A peça acusatória detalha que, durante esse período, os denunciados teriam desferido golpes de cassetete contra a vítima. Além disso, o preso foi submetido a procedimentos de tortura conhecidos como “Garfo do Capeta” e “Chantili”.

Segundo a denúncia, o “Garfo do Capeta” consiste em “pingar sobre a pele da vítima um composto de vela que exala gás de pimenta”. Já o procedimento denominado “Chantili” consiste em “passar nos olhos da vítima um spray com um creme composto com pimenta”.

A materialidade das agressões é sustentada por laudos de exame de corpo de delito. No caso de Adailton Rodrigo dos Santos Alves, o laudo apontou a presença de “cicatriz hipercrômica cilíndrica alongada em região lombar esquerda”.

A denúncia também menciona a prática do procedimento de tortura conhecido como “Arrebatamento”, que consistia na retirada de detentos das celas mediante disparos de munição não letal (elastômero), golpes de cassetete e uso de bombas de gás lacrimogêneo. Após a retirada, os presos eram colocados deitados na quadra da unidade e submetidos a pisoteamentos.

Novas acusações

Inspeção realizada nos dias 29 e 30 de outubro de 2025 na Penitenciária Ferrugem apontou a existência de uma prática sistemática e institucionalizada de tortura e tratamento desumano contra pessoas privadas de liberdade.

As constatações estão descritas em relatório elaborado por uma equipe do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Prisional e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O documento descreve um cenário de graves violações de direitos humanos, a consolidação de um poder paralelo dentro da unidade prisional e até ameaças diretas à integridade física de autoridades judiciais responsáveis pela fiscalização.

Adalberto Dias de Oliveira e o subdiretor Antônio Carlos Negreiros dos Santos foram citados em diversos depoimentos como participantes diretos das agressões. Conforme o relatório, o diretor atuaria encapuzado em algumas ações, debochava de autoridades judiciais e teria afirmado que “manda na cadeia”.
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