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Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

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TRIBUNAL DO JÚRI

'Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços', lamenta amigo de PM assassinado por investigador em Cuiabá

Foto: TJMT

'Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços', lamenta amigo de PM assassinado por investigador em Cuiabá
 “Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços. Ele simplesmente descarregou”, lamentou o amigo de Thiago de Souza Ruiz, policial militar assassinado em abril de 2023 pelo investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, que passa pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (15). 


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Em depoimento, a testemunha Walfredo Raimundo relatou que a vítima não pretendia consumir bebida alcoólica no dia dos fatos e afirmou que Mário aparentava estar um pouco alterado. Ainda conforme o depoimento, ele tentou intervir para separar a briga, mas viu o réu sacar a arma. A testemunha afirmou que não sacou sua própria arma devido à presença de funcionários e clientes no local.

“Visivelmente emocionado, afirmou: “Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços. Não teve jeito”. Em outro momento, declarou: “Eu fui quem apresentei os dois, mas fatos são fatos. Não vou conseguir mudar o passado”.

Ao ser questionada pelo Ministério Público se a vítima tentava fugir da situação, a testemunha respondeu afirmativamente e declarou: “Ele simplesmente descarregou”. Segundo o relato, foram efetuados diversos disparos. “Se não me engano, cerca de 16 tiros”, disse Walfredo, descrevendo a arma como de calibre 9mm de última geração.

O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves é julgado nesta segunda pelo assassinato de Ruiz, executado a tiros próximo à Praça 8 de Abril, na capital, em 2023, após uma discussão ocorrida entre os dois.

Anos após o crime, a ferida deixada pela morte prematura do policial militar ainda não cicatrizou e a família aguarda pelo julgamento do atirador que, após ser remarcado quatro vezes, deve acontecer. Mário se sentará no banco dos réus acusado pelo crime de homicídio qualificado.

Ao Olhar Direto, familiares expressaram a ânsia pelo julgamento do policial. Neste domingo, a família realizou um ato de protesto na Praça 8 Abril em prol da memória do militar assassinado.

“Estamos vivendo uma dor que não tem fim. Nosso familiar foi assassinado de forma brutal por um policial civil, e desde o dia 27/04/2023 nossa família luta não apenas para lidar com essa perda devastadora, mas também para que a verdade seja reconhecida e a justiça finalmente aconteça”, disse à reportagem.

O crime aconteceu no dia 27 de abril, por volta das 3h30, tendo iniciado no interior da conveniência de um posto de gasolina, em Cuiabá, local próximo ao Choppão e à praça. Conforme apurado no inquérito policial, Mário e um amigo foram até a conveniência e lá encontraram uma terceira pessoa, que apresentou a vítima aos dois. Consta na denúncia, que o PM e o investigador se “estranharam” pela desconfiança sobre a condição de policial de Thiago.

“A conversa seguiu no sentido de um indagar ao outro informações acerca das atividades e formação policial de ambos, instante em que Thiago levantou a camisa para mostrar uma cicatriz de que era portador, momento em que Mário visualizou e se apossou do revólver que aquele trazia na cintura, afirmando que iria chamar a polícia para averiguar aquela arma. Neste interim sacou da pistola que trazia consigo e apontou em direção a Thiago, após o que voltou sua pistola para a cintura e permaneceu com o revólver da vítima em mãos”, diz a denúncia.

Na sequência, conforme o Ministério Público, Thiago tentou pegar de volta seu revólver, momento em que os dois se atracaram e caíram no chão. Durante a confusão, testemunhas tentaram separar os dois, mas Thiago acabou sendo atingido por vários disparos de arma de fogo efetuados por Mário. Mesmo alvejado, Thiago ainda conseguiu sair do local, mas foi alcançado por Mário, que ainda atirou pelas suas costas.
 
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