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Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

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DOCE AMARGO E VERTIGEM

Preso por tráfico em março seguiu trabalhando no TJ com salário de R$ 10 mil; exoneração só saiu na 2ª prisão

Foto: Reprodução

Preso por tráfico em março seguiu trabalhando no TJ com salário de R$ 10 mil; exoneração só saiu na 2ª prisão
Rodrigo Moreira de Figueiredo foi preso a primeira vez em março deste ano por tráfico de drogas no âmbito da Operação Doce Amargo e, ainda assim, continuou exercendo o cargo de assessor jurídico no gabinete da 9ª Vara Cível de Cuiabá e recebendo salário de aproximadamente R$ 10 mil. Ele só foi exonerado nesta quarta-feira (26), quando foi detido novamente, desta vez no bojo da Operação Vertigem, que investiga grupo responsável pela venda de LSD, MDMA e “loló” na capital. As investigações apontam que, neste intervalo, ele continuou traficando e exercendo a profissão no Poer Judiciário.


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O salário para o cargo de assessor de gabinete II, o qual ele ocupava, é pago da seguinte forma: Remuneração Paradigma de R$ 6.212,13; Indenizações em R$ 3.869,00, e Vantagens Eventuais R$3.106,07, sendo descontados R$ 679 de previdência e R$ 612 de imposto de renda, resultando em aproximadamente R$ 10 mil mensais.

Apesar de ter sido preso na Doce Amargo, em março, Rodrigo foi solto por ordem da Justiça e, conforme apurado pela reportagem, continuou recebendo os salários do Tribunal (TJMT). Somente nesta quarta-feira (26) que a Corte o exonerou.

“A instituição ressalta que os fatos investigados são de natureza pessoal e não possuem relação com o exercício das funções desempenhadas no âmbito do TJMT. Após tomar ciência da situação, foi determinada a exoneração do servidor. O Tribunal reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a legalidade”, informou a Corte.

As investigações da Vertigem, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), começaram em 2023, após o cumprimento de ordens judiciais da Operação Doce Amargo. Na época, buscas realizadas na residência do ex-assessor resultaram na apreensão de eletrônicos e documentos ligados ao esquema de tráfico.

Com o avanço das apurações, a polícia identificou uma rede de fornecedores associada ao servidor. Entre eles estaria o principal investigado da operação, um traficante de Cuiabá que atualmente vive no Paraguai e enviava drogas do país vizinho para a capital mato-grossense.

Segundo a Denarc, Rodrigo atuava como peça-chave em grupos de rateio para a aquisição de entorpecentes por pessoas de alto poder aquisitivo, lucrando com a intermediação.

Os envolvidos comercializavam drogas como ecstasy, MDMA e LSD — conhecidos como “bala”, “roda” e “doce” — além de substâncias como “loló”, lança-perfume e clorofórmio.

Rodrigo já havia sido preso em março, durante a terceira fase da Operação Doce Amargo, mas foi solto por decisão judicial. No entanto, as investigações apontam que, mesmo após a detenção, ele continuou atuando no grupo criminoso.
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