Detido em Cuiabá desde setembro por liderar esquema milionário de pirâmide financeira, o empresário Jonathan Rosa Vieira Bispo, principal alvo da operação Rede de Mentiras, que apura rombo de R$ 21 milhões, teve a prisão mantida por ordem do Tribunal de Justiça (TJMT). Em julgamento realizado na última quarta-feira (19), os magistrados da Primeira Câmara Criminal, por unanimidade, rejeitaram habeas corpus em que Jonathan buscava liberdade provisória.
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Para pedir a liberdade, Jonathan anotou que a prisão é ilegal, uma vez que careceria de fundamentação concreta, além de desconsiderar circunstâncias pessoais como a condição de saúde do paciente [obesidade grave e hipertensão], bem como sua responsabilidade exclusiva pelo seu filho menor de 8 anos e pelos seus pais idosos.
Sob relatoria do desembargador Orlando Perri, contudo, a Corte rejeitou os pedidos ao fundamento da necessidade de garantir a ordem pública e econômica, e no risco concreto de reiteração, uma vez que ele teria tentado aplicar um novo golpe após o colapso do esquema inicial.
Além disso, as alegações da defesa sobre condições pessoais, como a saúde e responsabilidade familiar do paciente, foram consideradas insuficientes para afastar a necessidade da custódia cautelar, já que não comprovadas devidamente.
Jonathan foi o principal alvo da Operação Rede de Mentiras, deflagrada em setembro. As investigações relatam prejuízos de clientes que investiram valores variados nas empresas de Bispo, a Metaverso Assessor de Investimentos Ltda. e a Metaverso Soluções Digitais Ltda., ambas já suspensas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em março deste ano, o órgão emitiu alerta de que as companhias atuavam sem autorização legal, captando recursos de investidores e prometendo ganhos mensais de até 7%.
A ofensiva apura indícios de estelionato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a economia popular. As investigações apontam que Bispo e seus sócios movimentaram milhões de reais por meio de transmissões no canal “Treta Trader”, no YouTube, e em redes sociais, atraindo vítimas em vários estados do país.
Segundo o MP, além de prometer lucros irreais, o grupo estimulava a entrada de novos investidores, prática típica de pirâmide financeira. Também foram registradas denúncias de ameaças a clientes que questionavam os atrasos nos pagamentos.