O juiz Júlio César Molina Duarte Monteiro, plantonista do Núcleo de Audiências de Custódia de Cuiabá, decretou a prisão preventiva de Welliton Dantas, encarregado de logística detido em flagrante por desviar R$ 10 milhões da Bom Futuro, gigante do agronegócio situada na capital. Seu comparsa, Vinícius de Moraes Sousa, também foi mantido segregado. Eles passaram por audiência de custódia nesta sexta-feira (14).
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Welliton foi detido pela suposta prática de estelionato e, examinando a prisão em flagrante, o juiz considerou a necessidade de mantê-lo preso diante da necessidade de garantir a ordem pública, a aplicação da Lei Penal e a conveniência da instrução criminal, citando a gravidade da conduta e o risco de reiteração criminosa.
O juiz ainda considerou a gravidade do crime, uma vez que o valor desviado foi expressivo, superando os R$ 10 milhões, e que a dupla agia de forma reiterada.
“Não obstante as arguições elencadas, registro que o montante amealhados, em tese, pelo flagranteado podem facilitar a evasão do distrito da culpa. Assim, necessária a segregação cautelar para garantia da ordem pública, da aplicação da Lei Penal e conveniência da instrução criminal”, decidiu.
Nesta quinta-feira (13), data em que foi preso, Welliton confessou e detalhou à polícia como funcionava o esquema de fraude que operava havia aproximadamente dois anos. Ele também afirmou que atuava em conjunto com Vinícius de Moraes Souza, sócio da empresa VS Transporte Bovinos, responsável por serviços regulares de transporte de gado para a companhia.
O depoimento foi colhido pelo delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá, ainda nesta quinta-feira (13). Welliton confirmou que ambos combinavam a emissão fraudulenta de CTEs (Conhecimentos de Transporte Eletrônico) com base em notas internas de transporte do Bom Futuro — documentos que não exigem esse tipo de registro por se referirem a movimentações internas entre unidades da empresa.
Era por meio desta “brecha” que a dupla atuava: Vinícius, que também presta serviços de transportes legalmente ao “Gigante do Agro”, emitia o CTE indevidamente, como se tivesse executado algum transporte que, porém, não ocorrera, e o documento seguia para o setor em que Welliton trabalhava. Ele então liberava o pagamento no sistema, fazendo com que a Bom Futuro pagasse por fretes inexistentes. Basicamente duplicava as notas fiscais e as CTE em nome da empresa VS Transporte Bovinos, registrada em nome de Welliton.
Welliton afirmou que o esquema começou após conversas entre os dois e que a divisão dos valores era feita conforme a “demanda” mensal de cada um. Ele confessou que mantinha investimentos em renda fixa, na XP Investimentos, estimados em R$ 500 mil, além de ter adquirido veículos de alto padrão e imóveis nos últimos anos.
No período dos desvios, ele comprou um Creta e um Volvo 2025, além de ter adquirido um apartamento na planta e dois lotes em um condomínio na saída para Guia, região metropolitana de Cuiabá. Questionado sobre a origem desses bens, disse que parte veio de “intermediações” que realizava e que parte das aquisições foi financiada.
Welliton negou que outras pessoas participassem do esquema e afirmou que os demais funcionários da empresa não tinham conhecimento das fraudes. Disse estar arrependido e declarou que pretende responder pelo que fez.
O delegado também questionou operações realizadas nesta semana. Welliton confirmou ter liberado no sistema um pagamento de aproximadamente R$ 210 mil, parte referente ao esquema.
A prisão ocorreu após a própria Bom Futuro identificar inconsistências e acionar a polícia. Segundo cálculo preliminar apresentado ao interrogado, o prejuízo estimado supera R$ 10 milhões.