Acusado de liderar negociações no Poder Judiciário nacional, o lobista de Mato Grosso Andreson Gonçalves de Oliveira já foi transferido pela Polícia Federal ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Andreson cumpria domiciliar em sua mansão em Primavera do Leste. Contudo, diante de indícios de que ele seguia as tratativas pelo celular de um segurança particular, e que poderia ter forjado um estado debilitado da própria saúde, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que voltasse ao regime fechado.
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Na manhã desta quarta-feira (12), agentes da PF cumpriram mandado de prisão expedido por Zanin na casa de Andreson, principal alvo da Operação Sisamnes, que investiga o esquema milionário de venda de decisões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no de Mato Grosso do Sul, e no Superior (STJ). Ofensiva foi deflagrada no ano passado a partir dos dados extraídos do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em Cuiabá, no mês de dezembro de 2023.
Ainda ontem (12), o advogado de Andreson, Eugênio Pacelli, relatou que o STF ignorou um laudo médico que comprova a condição de saúde debilitada de seu cliente. Ele ainda afirmou que o Judiciário desconsiderou exames médicos oficiais e baseou-se em uma “simples consulta” realizada por dois policiais médicos, que foram à casa de Andreson e atestaram que ele estava saudável e apto a retornar ao presídio.
A defesa ainda argumenta que a melhora no estado físico do lobista seria resultado de uma dieta adequada durante o período em prisão domiciliar, e que o retorno ao regime fechado pode agravar novamente sua condição de saúde.
A prisão domiciliar de Andreson foi revogada por determinação do ministro do STF, Cristiano Zanin.
No mês de outubro, o lobista já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão, quando o mesmo ministro determinou que um perito fosse até sua residência para avaliar seu estado de saúde. Na ocasião, o policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos foi preso em flagrante por obstrução à Justiça, ao tentar avisar Andreson sobre a presença da Polícia Federal e esconder o próprio celular.
Informações preliminares apontam que Andreson ainda estaria envolvido em esquemas de venda de sentenças, e teria utilizado o telefone de seu segurança para manter contato com outros investigados. Essa versão, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente.
O suspeito é apontado pela Polícia Federal como integrante de um grupo criminoso responsável por negociar decisões judiciais. Ele atuaria como intermediário entre advogados e desembargadores do TJMT.
A operação Sisamnes foi deflagrada no ano passado e já tem mais de 10 fases desencadeadas. A ofensiva iniciou a partir do assassinato de Zampieri, em dezembro de 2023. No seu celular, as investigações encontraram as conversas com Andreson, que revelaram indícios plausíveis de esquema de corrupção no judiciário nacional, consistente nas negociações milionárias de venda de sentenças. O caso já culminou no afastamento dos servidores do STJ Dimler, Márcio Toledo e Rodrigo Falcão, além dos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, e do juiz Ivan Lucio Amarante, todos do Tribunal de Justiça (TJMT).