Autor dos disparos que matou Gersino Rosa dos Santos, conhecido como “Nenê”, e o vendedor Cleyton de Oliveira de Souza Paulino no Shopping Popular de Cuiabá, em novembro de 2023, Silvio Júnior Peixoto foi questionado por um dos mandantes sobre a razões de não ter descarregado a arma nas vítimas tal qual seu irmão sofrera tempo antes. Ele relatou o episódio nesta quarta-feira (12) perante o Tribunal do Júri de Cuiabá.
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Durante seu interrogatório, Silvio descreveu uma conversa que teria ocorrido com Vanderley Barreiro da Silva, um dos mandantes, após o crime. Segundo o executor, Vanderley o teria questionado sobre o número de disparos efetuados contra a vítima.
“Ele pegou o carregador da arma e me perguntou por que eu não descarreguei a arma no cara. Disse que queria que eu fizesse como o irmão dele havia feito, descarregando todos os tiros”, relata Sílvio.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vanderley e sua mãe, Jocilene Barreiro da Silva, contrataram Silvio para matar Gersino como vingança pela morte de Girlei Silva da Silva, também filho dela. Eles acreditavam que Gersino teria envolvimento no homicídio do familiar.
No dia do crime, Silvio teria se deslocado de Campo Grande para Cuiabá acompanhado pelos dois acusados. Após receber uma caminhonete S10 dos mandantes, ele seguiu para o Shopping Popular, onde efetuou dois disparos contra Gersino, que estava em seu local de trabalho. Um dos tiros também atingiu Cleyton, que era funcionário de um comércio vizinho e se encontrava no local e que morreu na hora.
Segundo o MP, Silvio aceitou a promessa de pagamento de Vanderley e Josilene no valor de R$ 10 mil para executar Gersino, tendo recebido o 9,9 mil. Sílvio relatou que foi contratado para cometer o homicídio e que os mandantes teriam oferecido o montante para que ele viajasse até Cuiabá e executasse a ação. De acordo com o policial, o acusado também mencionou que possuía dívidas relacionadas a drogas na cidade onde morava, o que teria motivado a aceitação da oferta.
O julgamento é conduzido pela juíza titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri Siqueira e integra as ações do Mês Nacional do Júri, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que prevê durante o mês de novembro a realização de 208 sessões de julgamento em diversas comarcas do estado.