A advogada Mirian Ribeiro se manifestou publicamente e negou todas as acusações que a Polícia Federal lhe imputa no bojo da Operação Sisamnes, que investiga um dos maiores esquemas de corrupção do Poder Judiciário do país. Esposa do lobista Andreson Oliveira Gonçalves, preso em domiciliar por ser o principal alvo da ofensiva, Mirian emitiu seu direito de resposta à reportagem veiculada na semana passada pela Revista Piauí, a qual veiculou que ela “nadava de braçada” no gabinete no ministro Paulo de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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A Sisamnes foi deflagrada em novembro do ano passado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), após o celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, em Cuiabá, evidenciar possível rede de tráfico de influência e negociação de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Pouco depois de ser alvejado com mais de 10 tiros, ainda dentro de sua caminhonete, no bairro Bosque da Saúde, Zampieri recebeu uma mensagem do desembargador Sebastião de Moraes Filho prestando suas lamentações. O celular do advogado revelou não só as questões da sua execução, mas a suspeita de um complexo esquema de corrupção. Sebastião está afastado do Tribunal e monitorado por tornozeleira junto do colega João Ferreira Filho, ambos flagrados em conversas com Zampieri, onde negociavam decisões em troca de muito dinheiro e presentes de alto valor.
Mas, segundo a PF, o esquema não se limitaria à Corte mato-grossense. Empresário milionário, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, marido de Mirian, chegou a ser preso em uma das fases da ofensiva. Ele é acusado de movimentar bilhões nas tratativas, que aconteceriam também no gabinete de três ministros do STJ, Og Fernandes, Nancy Andrighi e Isabel Gallotti. O trio não é acusado formalmente pela operação, mas servidores lotados em seus gabinetes, supostamente responsáveis por forjar minutas com Andreson, sim: Daimler Alberto de Campos, Márcio José Toledo Pinto e Rodrigo Falcão de Oliveira Andrade.
Além dos três ministros, a PF abriu um inquérito separado para apurar a situação de Moura Ribeiro. A reportagem da Piauí revelou que Andreson, que nunca foi advogado, atuou em processos no gabinete dele até ter sua carteira falsa da OAB cassada. “Além disso, desde a sua primeira análise das 9 mil mensagens, o ministro Luis Felipe Salomão, corregedor do CNJ, registrou que Gonçalves recebera antecipadamente várias minutas do gabinete de Moura Ribeiro, onde o lobista se vangloriava de ter proximidade com servidores”, diz trecho da reportagem, que também acusou Mirian de “nadar de braçada” no gabinete de Paulo.
É justamente contra tal acusação que a advogada se manifestou publicamente, emitindo seu direito de reposta. Mirian aponta que a reportagem atentou contra sua honra, profissionalismo e reputação, que sempre fora pautada pela ética e seriedade.
Ela repudiou veementemente as informações da reportagem, alegando sensacionalismo e conteúdo fantasioso, e que desrespeita sua trajetória, iniciada na capital do país em 2002. Questionou ainda o fato de que a reportagem violou o sigilo das investigações, emitiu conclusões equivocadas sobre um inquérito sigiloso ainda em andamento, que, por sua vez, ainda não emitiu parecer conclusivo sobre as hipóteses investigadas.
Mirian ressaltou ainda que ela não é formalmente denunciada em nenhum processo relacionado à operação, e que a reportagem lhe vincula como “vilã” de uma apuração ainda inconclusa, e que a própria Procuradoria-Geral da República recomendou que a PF delimite com clareza todos os pontos da investigação.
A advogada também contestou o fato de que Breno teria ultrapassado “os limites éticos e legais da profissão ao tentar abordar funcionários do escritório e inclusive adentrar o condomínio residencial onde reside advogada, configurando grave violação à privacidade e ao respeito pessoal, em busca de declarações indevidas”. Confira o posicionamento completo de Miriam ao final da matéria.
A operação Sisamnes foi deflagrada no ano passado e já tem mais de 10 fases desencadeadas. A ofensiva iniciou a partir do assassinato de Zampieri, em dezembro de 2023. No seu celular, as investigações encontraram as conversas com Andreson, que revelaram indícios plausíveis de esquema de corrupção no judiciário nacional, consistente nas negociações milionárias de venda de sentenças. O caso já culminou no afastamento dos servidores do STJ Dimler, Márcio Toledo e Rodrigo Falcão, além dos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, e do juiz Ivan Lucio Amarante, todos do Tribunal de Justiça (TJMT).
Andreson segue detido em sua mansão em Primavera do Leste, onde cumpre prisão domiciliar em razão do seu estado de saúde debilitado. No último dia 2 de outubro, a PF enviou ao Supremo um relatório complementar da Operação, detalhando como o lobista usava suas empresas para, supostamente, lavar os milhões que movimento diante do possível esquema. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de uma investigação para apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Sisamnes, visando compreender os efeitos desse vazamento sobre os desdobramentos da operação.
No começo de novembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao Supremo a prorrogação do prazo de investigação, e também levantou questionamentos sobre o relatório complementar que apresentou hipóteses de corrupção e tráfico de influência envolvendo servidores e intermediários da Corte.
O documento enviado ao STF indica que Gonet considera verossímeis as hipóteses criminais levantadas pela PF, mas solicita mais tempo para que os investigadores detalhem pontos ainda inconclusos. O procurador-geral pediu a manutenção de medidas cautelares — como prisões e monitoramentos eletrônicos — até que as novas diligências sejam concluídas.
Direito de resposta
A advogada Mirian Ribeiro vem a público manifestar-se em relação às recentes notícias veiculadas em mídias nacional, estadual e municipal, especialmente à reportagem publicada na edição 230 da Revista Piauí, de novembro de 2025, e demais veículos que republicaram totalmente ou parcialmente o conteúdo, que trouxe à luz uma série de informações inverídicas, acusações infundadas e interpretações distorcidas sobre sua trajetória profissional e pessoal.
A referida matéria utilizou imagens pessoais e expressões que atentam contra a honra, o profissionalismo e a reputação construída ao longo de mais de 25 anos de exercício da advocacia, período em que Mirian Ribeiro sempre pautou sua atuação pela ética, seriedade e respeito aos seus clientes e à Justiça.
Com atuação destacada nas áreas empresarial, civil e pública, a advogada tem escritório em Brasília desde 2002, estendendo sua atuação a diversos estados da federação. Nesse contexto, repudia veementemente o conteúdo sensacionalista e fantasioso publicado pela referida revista, que desconsidera sua trajetória e desrespeita toda a classe de advogados, ao induzir que a competência desses profissionais seria medida pelo status social de seus escritórios ou por sua localização geográfica e não por sua capacidade técnica e ética. Tal narrativa reforça a equivocada ideia de que apenas advogados de grandes escritórios sediados na capital nacional poderiam atuar nos tribunais superiores, desmerecendo profissionais de todos os demais estados do país. Além disso, o texto além de violar o sigilo das investigações, promove ataque de cunho pessoal, com conclusões equivocadas de um inquérito ainda em andamento, sem qualquer conclusão sobre as hipóteses investigativas formuladas.
É importante esclarecer aos leitores que, ao contrário do que sugere a reportagem, não existe qualquer denúncia formal ou acusação apresentada contra a profissional. A matéria, de forma irresponsável, tenta vinculá-la como protagonista ou “vilã” de uma investigação não concluída e cuja a própria PGR já recomendou que as autoridades investigativas delimitem com clareza os pontos de investigação com as respectivas provas.
Destaca-se, ainda, que o jornalista responsável pela publicação ultrapassou os limites éticos e legais da profissão, ao tentar abordar funcionários do escritório e inclusive adentrar o condomínio residencial onde reside advogada, configurando grave violação à privacidade e ao respeito pessoal, em busca de declarações indevidas.
Por fim, Mirian Ribeiro reafirma, seu compromisso com o exercício ético e responsável da advocacia, com seus clientes, confiando que a verdade prevalecerá ao término das apurações competentes.