O juiz Valter Fabrício marcou a audiência de instrução e julgamento em face de quatro policiais militares acusados de obstruírem as investigações do assassinato do advogado Renato Nery, executado em julho de 2024, na capital. Em decisão publicada nesta quinta-feira (6), o magistrado redesignou o ato para 12 de dezembro, às 14h.
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Os réus, todos militares, Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso, são acusados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso por crimes como organização criminosa, abuso de autoridade, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e falsidade ideológica.
O processo está relacionado a fatos ocorridos em julho de 2024, incluindo o homicídio do advogado Renato Gomes Nery e uma suposta execução e tentativa de execução de outras vítimas, em um contexto de forja de confronto policial para garantir impunidade.
Sete dias após o homicídio de Renato Nery, em 12 de julho de 2024, os denunciados, na condição de policiais militares do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), teriam executado Walteir Lima Cabral e tentado contra Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma, forjando um confronto policial no Contorno Leste, em Cuiabá.
A perícia revelou que a pistola Glock, calibre 9mm, com seletor de tiro automático, supostamente apreendida na cena dos crimes de 12 de julho, foi a mesma utilizada no homicídio do advogado Renato Nery. Além disso, as munições encontradas na cena do crime do advogado pertenciam à Polícia Militar de Mato Grosso, especificamente ao Batalhão Rotam.
O Ministério Público alega que os denunciados inovaram artificiosamente o estado de lugar e de coisa, alterando a cena do crime de 12 de julho de 2024 para simular um confronto armado.
Segundo laudo pericial, as armas (uma pistola Glock e uma pistola Jerichó) foram entregues em mãos pelo denunciado Jorge Rodrigo Martins, e não coletadas na cena dos fatos.
A perícia balística concluiu que projéteis e estojos encontrados na cena não partiram de armas supostamente com as vítimas, mas sim exclusivamente das armas dos próprios denunciados.
Não foram encontradas perfurações de disparos em nenhum dos veículos envolvidos, contrariando a versão de troca de tiros.
As vítimas sobreviventes negaram portar armas de fogo, e a vítima do roubo que antecedeu o suposto confronto afirmou ter visto apenas um dos assaltantes armado.
Os denunciados são acusados de portar ilegalmente duas armas de fogo de uso restrito, a pistola Glock G17, calibre 9mm, e a pistola Jerichó 941 F, calibre 9mm Luger, e de introduzi-las na cena do crime para forjar o confronto.