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Domingo, 07 de dezembro de 2025

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DEU NA PIAUÍ

Esposa de lobista, advogada de MT "nadava de braçada" em ações com ministro do STJ; venceu caso para Zezé di Camargo

Foto: Reprodução

Andreson, Mirian e o ministro Moura Ribeiro

Andreson, Mirian e o ministro Moura Ribeiro

Reportagem da Piauí veiculada nesta quinta-feira (6) pelo repórter Breno Pires revelou que a advogada Mirian Ribeiro, esposa do lobista Andreson Gonçalves, “nadava de braçada” nos bastidores do gabinete do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Andreson é o principal alvo da Operação Sisamnes, deflagrada para investigar esquema de negociação de sentenças no Judiciário nacional. De acordo com a reportagem, Mirian advogou em casos emblemáticos no gabinete, como numa ação em defesa do cantor Zezé di Camargo, e detinha “robusta” taxa de sucesso junto ao ministro.


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De Brasília - Breno Pires - Revista Piauí - De alguma forma, a advogada conseguia concentrar seus processos no gabinete do ministro. Desde que atua no STJ, a advogada já teve 201 processos tramitando na corte – 47 dos quais passaram pelo gabinete de Moura Ribeiro. A concentração não se explica pela área de atuação do magistrado, considerando que outro colega, Marco Buzzi, que também atua no campo do direito privado, é relator de apenas quatro processos.

A outra curiosidade é a robusta taxa de sucesso da advogada nas 47 ações. Excluindo os casos em andamento ou já encerrados por acordo, a análise da piauí mostra que Mirian obteve 29 vitórias. Ou seja, venceu em 72,5% dos casos em que atuou. É um índice excepcional, à luz do fato de que, em ações que circularam pelos gabinetes de outros ministros, seu placar de vitórias ficou em 43,5%.  Por fim, há um terceiro aspecto que chama a atenção. Em dezesseis casos, a advogada só foi contratada quando o processo já estava sob a relatoria de Moura Ribeiro, um indicativo de que seu sucesso naquele gabinete era um atrativo para a clientela. Alguns exemplos:

- Uma ação em que o cantor Zezé di Camargo contestava uma dívida com a empresa de saneamento de Goiás caiu nas mãos do ministro Moura Ribeiro num dia e, no dia seguinte, Mirian foi contratada para defender o artista. Ganhou a causa.

- Outra ação, movida por uma empresa do agronegócio, envolvendo uma disputa fundiária em Mato Grosso, chegou ao gabinete do ministro num dia e, também no dia seguinte, a advogada assinou contrato. Ganhou de novo.

- Em um terceiro processo, em que compradores e vendedores brigavam em torno de três lotes rurais em Alto Floresta, em Mato Grosso, Mirian foi contratada 23 dias depois que o ministro Moura Ribeiro virou relator do caso. Mais uma vez, saiu vitoriosa.

- Em outra ação, na qual uma incorporadora pedia o reconhecimento de um contrato de permuta de imóveis, deu-se uma dinâmica diferente. O caso caiu nas mãos de Moura Ribeiro em agosto de 2021 e empacou. Depois de um ano com o processo parado, Mirian foi contratada – e pouco mais de um mês depois a ação voltou a andar. Ganhou de novo.

A operação Sisamnes foi deflagrada no ano passado e já tem mais de 10 fases desencadeadas. A ofensiva iniciou a partir do assassinato de Zampieri, em dezembro de 2023. No seu celular, as investigações encontraram as conversas com Andreson, que revelaram indícios plausíveis de esquema de corrupção no judiciário nacional, consistente nas negociações milionárias de venda de sentenças. O caso já culminou no afastamento dos servidores do STJ Daimler Campos, Márcio Toledo e Rodrigo Falcão, além dos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, e do juiz Ivan Lucio Amarante, todos do Tribunal de Justiça (TJMT).

Outro lado

A advogada Mirian Ribeiro vem a público manifestar-se em relação às recentes notícias veiculadas em mídias nacional, estadual e municipal, especialmente à reportagem publicada na edição 230 da Revista Piauí, de novembro de 2025, e demais veículos que republicaram totalmente ou parcialmente o conteúdo, que trouxe à luz uma série de informações inverídicas, acusações infundadas e interpretações distorcidas sobre sua trajetória profissional e pessoal.

A referida matéria utilizou imagens pessoais e expressões que atentam contra a honra, o profissionalismo e a reputação construída ao longo de mais de 25 anos de exercício da advocacia, período em que Mirian Ribeiro sempre pautou sua atuação pela ética, seriedade e respeito aos seus clientes e à Justiça.

Com atuação destacada nas áreas empresarial, civil e pública, a advogada tem escritório em Brasília desde 2002, estendendo sua atuação a diversos estados da federação. Nesse contexto, repudia veementemente o conteúdo sensacionalista e fantasioso publicado pela referida revista, que desconsidera sua trajetória e desrespeita toda a classe de advogados, ao induzir que a competência desses profissionais seria medida pelo status social de seus escritórios ou por sua localização geográfica e não por sua capacidade técnica e ética. Tal narrativa reforça a equivocada ideia de que apenas advogados de grandes escritórios sediados na capital nacional poderiam atuar nos tribunais superiores, desmerecendo profissionais de todos os demais estados do país. Além disso, o texto além de violar o sigilo das investigações, promove ataque de cunho pessoal, com conclusões equivocadas de um inquérito ainda em andamento, sem qualquer conclusão sobre as hipóteses investigativas formuladas.

É importante esclarecer aos leitores que, ao contrário do que sugere a reportagem, não existe qualquer denúncia formal ou acusação apresentada contra a profissional. A matéria, de forma irresponsável, tenta vinculá-la como protagonista ou “vilã” de uma investigação não concluída e cuja a própria PGR já recomendou que as autoridades investigativas delimitem com clareza os pontos de investigação com as respectivas provas. 

Destaca-se, ainda, que o jornalista responsável pela publicação ultrapassou os limites éticos e legais da profissão, ao tentar abordar funcionários do escritório e inclusive adentrar o condomínio residencial onde reside advogada, configurando grave violação à privacidade e ao respeito pessoal, em busca de declarações indevidas.

Por fim, Mirian Ribeiro reafirma, seu compromisso com o exercício ético e responsável da advocacia, com seus clientes, confiando que a verdade prevalecerá ao término das apurações competentes.


 
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