Condenado a cinco anos de prisão por armar bomba no aeroporto de Brasília, em dezembro de 2022, Alan Diego Rodrigues foi mantido preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e deverá continuar detido na cadeia de Comodoro (630km de Cuiabá). A Secretaria de Estado de Justiça do Estado de Mato Grosso, atendendo ordem de Moraes, informou o Supremo e confirmou a viabilidade da unidade de Comodoro em mantê-lo preso.
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Na semana passada, quando decidiu que Alan deveria continuar preso, Moraes expediu ordem para que a Secretaria de Justiça informasse a viabilidade da unidade – o que foi confirmado, e, em despacho assinado nesta terça-feira (15), o ministro encaminhou o caso para parecer da Procuradoria-Geral da República, responsável pela denúncia, antes da decisão definitiva a ser proferida pelo colegiado da Corte.
Moraes considerou que a liberdade de Alan coloca em risco à ordem pública, bem como que permanecem presentes todos os requisitos legais para a manutenção da prisão. O bolsonarista está detido na cadeia de Comodoro (624 km de Cuiabá).
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), endossada por parecer da Procuradoria-Geral da República, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza, se encontraram durante as manifestações contrárias ao resultado das eleições que elegeram Lula (PT), em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, onde decidiram se unir para o ato golpista.
O objetivo dos denunciados, segundo o MPDFT, era causar comoção social a fim de que houvesse intervenção militar e decretação de Estado de Sítio. Para isso, em 12 de novembro de 2022, George transportou em um automóvel, da sua cidade natal no Pará até Brasília, diversas armas de fogo, acessórios e munições com o propósito de distribuir os armamentos a indivíduos para evitar a propagação do que ele denomina como "comunismo".
Na viagem, George ainda trouxe dinamites. Já em na capital do país, em frente ao Quartel General, em 23 de dezembro, George, Alan e Wellington e outros manifestantes não identificados elaboraram o plano de explodir bombas em locais públicos.
Em seguida, George montou e entregou o artefato explosivo a Alan, que, por sua vez, repassou-o a Wellington para o cumprimento da ação. Assim, este último e outro indivíduo não identificado, foram até o Aeroporto de Brasília e colocaram a bomba no eixo traseiro de um caminhão-tanque que estava estacionado aguardando o momento de se aproximar da base aérea para ser desabastecido.
O caminhão estava carregado de querosene de aviação e tinha capacidade para 60 mil litros. Contudo, antes que a bomba pudesse explodir, o motorista do caminhão-tanque percebeu a presença do artefato explosivo, retirou-o de perto do veículo e acionou a polícia.
Diante disso, em maio de 2023, o Tribunal do DF o mato-grossense Alan Diego dos Santos Rodrigues, de 32 anos, à pena de cinco anos e quatro meses em regime inicial fechado. Além de dele, George também recebeu a mesma pena.
Ambos foram condenados pelos crimes de expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outro, mediante colocação de dinamite ou de substância de efeitos análogos em um caminhão-tanque carregado de combustível, bem como causar incêndio em combustível ou inflamável. Além disso, George ainda foi condenado por porte ilegal de arma de fogo e artefato explosivo ou incendiário. Em 2025, então, eles foram novamente denunciados, só que no contexto dos atos do 8 de Janeiro – e foi neste processo que Moraes decretou novamente as respectivas prisões.
"O acusado e o corréu se conheceram em Brasília/DF, no acampamento montado em frente ao QG do Exército. Ao que consta, as emulsões explosivas vieram do Pará, a pedido do corréu, o qual, após a montagem, entregou o artefato explosivo para o acusado, que, por sua vez, se encarregou de tarefa importante (colocação do artefato no local escolhido).", diz trecho da sentença.
Em junho deste ano, Moraes decretou a prisão preventiva de Alan, cumprida exatamente no dia 27, data em que fora realizada audiência de custódia. A defesa requereu a concessão da liberdade provisória ou subsidiariamente a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, o que foi rechaçado pela procuradoria.
Examinando o caso, Moraes constatou que os elementos colhidos pela investigação apontam que Alan, ao ser conduzido em um veículo no banco do carona, depositou o explosivo no eixo esquerdo do caminhão e, na sequência, fez duas ligações por orelhão, revelando o risco à ordem pública.
Em outubro de 2023, a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Lesa Pátria, que além de identificar pessoas que financiaram e fomentaram os fatos ocorridos em 8/1, em Brasília, quando os Três Poderes foram invadidos por indivíduos que promoveram violência e dano generalizado contra os imóveis, móveis e objetos daquelas Instituições, a ofensiva também apurou que os valores dos danos causados ao patrimônio público possam ter alcançado a cifra de R$ 40 milhões.
Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.