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Sexta-feira, 28 de março de 2025

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TREINAMENTO NA LAGORA TREVISAN

Justiça remarca julgamento de Ledur em ação sobre tortura contra aluno

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Justiça remarca julgamento de Ledur em ação sobre tortura contra aluno
O juiz Moacir Rogério Tortato, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, redesignou sessão de julgamento do processo em que a capitã Izadora Ledur é acusada de, supostamente, torturar um aluno durante treinamento. Inicialmente designada para o dia 17 de dezembro de 2024, a audiência foi remarcada para esta quarta-feira (29) e, agora, remetida para o próximo dia 7 de fevereiro. A vítima passou por situação semelhante à de Rodrigo Claro, que morreu após treinamento com a militar.


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Tortato teve que fazer mais uma mudança diante da impossibilidade de os juízes militares comparecerem na data previamente designada.  Sessão começará às 14h.

Consta dos autos que, no início do ano de 2016, entre os meses de janeiro e fevereiro, durante o treinamento de salvamento aquático em ambiente natural do 15º Curso de Formação de Soldado do Corpo de Bombeiros Militar, realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, Ledur submeteu o aluno Maurício Júnior dos Santos, que estava sob sua autoridade, a intenso sofrimento físico e mental como forma de lhe aplicar castigo pessoal.
 
Apesar de apresentar bom condicionamento físico, bem como ter sido aprovado em todas as fases do concurso público para compor o quadro de servidores do Corpo de Bombeiros, incluindo a etapa TAF (teste de aptidão física), Maurício demonstrou dificuldades na execução das atividades aquáticas, o que era visível a todos os alunos e instrutores.
 
Segundo ação, em um dos dias de treinamento, após percorrer cerca de 40 metros, a vítima começou a sentir câimbras, sendo auxiliada por outros alunos, tendo, inclusive, recebido uma boia ecológica.
 
Ocorre que, conforme o MP, já no meio do percurso, a denunciada determinou que os demais alunos seguissem com a travessia, deixando Maurício para trás. “A partir daí, como forma de aplicar castigo pessoal, a denunciada passou a torturar física e psicologicamente a vítima, quando, além de proferir palavras ofensivas, utilizando a corda da boia ecológica iniciou uma sessão de afogamentos, submergindo-a por diversas vezes”, diz trecho dos autos.
 
Ato contínuo, ainda conforme o MP, após alguns “caldos”, o ofendido já sem forças para emergir e respirar, segurou os braços de Ledur, implorando para que ela cessasse a atividade. A denunciada, por sua vez, além de a repreender gritando “Você está louco? Aluno encostando em ocial”, só interrompeu a sessão de afogamento quando a vítima perdeu a consciência.
 
Pouco tempo depois, o ofendido acordou desesperado, já nas margens da lagoa, momento em que veio a vomitar bastante água. “Se não bastasse, mesmo a vítima apresentando esgotamento físico e mental, a denunciada exigia, aos gritos, que Maurício retornasse para a água”. A vítima desmaiou novamente, sendo necessário seu encaminhamento à Policlínica do Coxipó.
 
Apesar das informações presentes na petição inicial, o Ministério Público apresentou alegações finais requerendo desclassificação do crime de tortura para o crime de maus-tratos durante treinamento.
 
Em alegações finais após manifestação do MPE, Izadora Ledur aponta que Maurício Junior fraudou edital. Ele seria portador de hipertensão crônica, mas não comunicou o problema de saúde. Ledur reforçar ainda o posicionamento final do MP, de que não há crime de tortura.

Em 2022, a Justiça Militar declarou como extinta a possibilidade de o Poder Público punir Ledur pela morte de Rodrigo Claro.
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