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Sábado, 20 de julho de 2024

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entrevista ao Olhar Jurídico

Advogado nega conhecimento prévio sobre representação de Nery, refuta assassinato e se coloca à disposição da OAB

Foto: Reprodução

Antônio João de Carvalho Júnior

Antônio João de Carvalho Júnior

O advogado Antônio João de Carvalho Júnior, alvo de representação disciplinar proposta pelo também advogado Renato Nery, negou todas as acusações presentes na peça. Em entrevista ao Olhar Jurídico, Carvalho Júnior repudiou o assassinato de Nery, ocorrido na sexta-feira (5), refutando qualquer tipo de ligação com o caso e se colocando à disposição das investigações. 


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Conforme noticiado pelo Olhar Direto, a Polícia Civil (PJC) investiga se a representação disciplinar apresentada à Ordem dos Advogados em Mato Grosso (OAB-MT) no dia 26 de junho teve influência no planejamento do homicídio. A representação disciplinar proposta por Renato cita suposto “escritório do crime” e pede investigação contra Antônio João de Carvalho Júnior.
 
Na peça, Nery, que já presidiu a OAB-MT, faz referência a conjunto de processos, todos envolvendo discussão sobre posse de terras em Mato Grosso. A ação inicial, em andamento há quase 40 anos, versa sobre reintegração de posse em tramitação no município de Barra do Garças.
 
Na representação à OAB, Renato citou o que chamou de “escritório do crime”. A peça nomeia participação de jornalista, médico, advogados e até mesmo de juízes e desembargadores. São levantadas suspeitas sobre mais de 10 pessoas.
 
Carvalho Júnior procurou o Olhar Jurídico para se defender das acusações presentes na representação. Os outros nomes citados serão preservados pela reportagem por falta de provas que confirmem as acusações e para que a investigação da Polícia Civil não seja prejudicada.
 
Antônio João de Carvalho Júnior
 
Antônio João de Carvalho Júnior afirmou ao Olhar Jurídico que não sabia da existência da citada representação até publicações na imprensa, nesta segunda-feira (8). Ou seja, o jurista relata ter tomado conhecimento das acusações por parte de Renato apenas após o assassinato do colega.
 
“Eu tomei conhecimento pelos órgãos de imprensa. Nunca tomei conhecimento por meio da OAB. Nunca fui intimado, nunca fui notificado, nunca fui convocado para prestar esclarecimento ou qualquer resposta. Nunca tive conhecimento disso”, salientou ao Olhar Jurídico.
 
Carvalho Júnior explicou ainda que os embates que possuía com Renato Nery se limitavam ao campo jurídico. “Nós atuamos em lados antagônicos em uma ação de nulidade de ato jurídico em que eu representava os direitos de uma pessoa contra o Renato Nery em razão de três contratos de cessão de direitos de posse, em que foram falsificadas assinaturas de pessoas que foram clientes de Renato Nery em uma ação de reintegração de posse que tramita na comarca de Novo São Joaquim. Ele falsificou a assinatura desses três contratos”.
 
Sobre o suposto “escritório do crime” citado na representação, Antônio João de Carvalho Júnior negou qualquer participação em atos irregulares. O advogado explicou ainda que não tem conhecimento sobre a suposta trama descrita na representação à OAB.
 
“Eu não tenho conhecimento do nome das pessoas que ele me associa. Mas eu posso afirmar que todas as alegações feitas pelo Renato Nery são levianas, destituídas de fundamento, porque eu atuei de forma técnica no processo. Jamais me vali de ajuda ou interferência de terceiras pessoas ou que qualquer magistrado tenha atuado de forma parcial em processos. Na realidade, nós atuamos de forma técnica e demonstramos que os contratos que Renato juntou nos autos são contratos nulos em que houve uma falsificação deliberada. Nada mais que isso”, comentou.
 
O jurista alvo da representação salienta ainda que Renato Nery tinha como estratégia de atuação fazer graves acusações contra adversários em processos. 

“A estratégia dele é tirar credibilidade daquelas pessoas que dificultam que ele alcance os interesses dele no processo. Porque todas as alegações dele são destituídas de prova e quando elas são contrapostas com provas documentais, ele costuma fazer representações justamente para dar credibilidade às alegações levianas”.
 
Por fim, Antônio João de Carvalho Júnior disse que está disponível para colaborar com as investigações.
 
“Eu quero esclarecer que eu me coloco à disposição da OAB, caso essa representação seja recebida e eu seja intimado para apresentar respostas. Mas o que eu posso afirmar é que, muito embora a morte do Renato tenha acontecido por uma violência inaceitável, essa fato não diminui os atos processuais por ele praticado e que estão delineados no processo, e demandam instrução probatória para comprovar de uma vez por todas, todas as falsificações que ele fez no processo”. 

A morte

Renato Nery sofreu um atentado na sexta-feira (5), na avenida Fernando Correia, em Cuiabá. O advogado recebeu um tiro na cabeça enquanto descia de seu carro para acessar o escritório de advocacia que liderava.

Após ser baleado, Renato foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde particular. O advogado passou por procedimento cirúrgico, mas acabou falecendo. A notícia sobre o falecimento foi divulgada no sábado (6). O velório ocorreu na manhã de domingo, com presença de centenas de familiares e amigos.

Renato Nery foi presidente da OAB-MT na gestão 1989 - 1991. Também atuou como conselheiro federal da Ordem, momento em que acompanhou as discussões sobre a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 
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