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Domingo, 21 de julho de 2024

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IPHONE INTERCEPTADO

Operação sugere que vereador acusado de atuar com o CV teria contratado funcionários fantasmas na Câmara de Cuiabá

Foto: Reprodução

Operação sugere que vereador acusado de atuar com o CV teria contratado funcionários fantasmas na Câmara de Cuiabá
A Polícia Federal encontrou a foto de vários cartões no celular do vereador Paulo Henrique de Figueiredo Masson (MDB), sugerindo à justiça que o registro poderia conter indícios de contratação de funcionários ‘fantasmas’. Ex-líder Emanuel Pinheiro (MDB) na Câmara da capital, o vereador é acusado pela Operação Ragnatela de atuar junto ao grupo do Comando Vermelho que lavou milhões de reais em Cuiabá, por meio de shows de funkeiros e artistas nacionais em bares e casas noturnas da cidade.


Leia mais: Milhões em PIX e ligação estreita com líder do CV: veja as suspeitas que colocaram empresário de Cuiabá na mira da PF

Durante a análise dos dados interceptados no celular do vereador, que constam no relatório investigativo da operação, a PF identificou diversas imagens de cartões de crédito e débito em nome de terceiros. Tal conduta, conforme as informações do Relatório nº 16/2023 da investigação, pode ser indício de contratação de “fantasmas” para trabalharem na Casa de Leis da capital.

A Polícia Federal também apontou que Paulo Henrique era responsável por fazer a fiscalização ambiental para liberar shows e eventos organizados pelo Comando Vermelho em Cuiabá, cujo objetivo era a lavagem de dinheiro.

As casas noturnas que se recusassem participar do esquema eram ameaçadas de interdição. Paulo Henrique nega as acusações e afirma que jamais exerceu influência junto ao CV.

De acordo com as investigações da Operação, deflagrada nesta quarta-feira (5), ele pagava os fiscais municipais para promover as interdições. Além disso, ele usaria sua condição de presidente do Sindicato dos Agentes de Regulação e Fiscalização do Município de Cuiabá (SINDARF/MT) para gastos pessoais.

Durante interceptações nos celulares dos envolvidos, a PF identificou que Paulo usava os recursos do sindicato para pagar suas despesas particulares. Uma bolsa de luxo foi adquirida por ele, pela conta do sindicato, por R$ 5,9 mil. A relação de Paulo com o SINDARF, entidade que preside, seria obscura e provavelmente inadequada, conforme as investigações.

“A compra, efetuada com recursos do SINDARF, sugere que o vereador se utiliza das contas bancárias do sindicato para realizar transações pessoais sem que possa identificá-lo como responsável”, destacou as investigações.

Digno de nota, a PF destacou que Paulo Henrique tem como possível principal laranja José Marcio Ambrosio Vieira, que seria seu motorista particular e intermediário no possível desvio de recursos do Sindarf.

Apesar de ter rendimento fixo proveniente da Câmara de Cuiabá, que inclusive não é pouco, Paulo Henrique usava os recursos do Sindicato para gastar. Para isso, ele realizava depósitos e transferências fracionadas sem identificação, padrão conhecido como “smurfing”, estratégia usada para ocultar a origem ilícita de dinheiro.

A pratica, segundo a PF, se intensificou com a inauguração da casa de shows Dallas, administrada por seu assessor e elo entre ele e os líderes do Comando Vermelho, Rodrigo Leal. No local, funkeiros era contratados para shows visando lavar o dinheiro proveniente do tráfico do CV.

Além disso, houve o pagamento de boletos bancários de grandes valores, sugerindo que o vereador estaria adquirindo bens em nome de terceiros, inclusive laranjas, uma vez que não existem patrimônios registrados em seu nome.

Para exemplificar esse indício, a PF identificou que Paulo tem em sua garagem um Jeep Compass, veículo de alto padrão que custa mais de R$ 100 mil. Contudo, ele vai à Câmara trabalhar usando um Renault Sandero, carro popular que também não está em seu nome.

Concluindo sobre a atuação do vereador no milionário esquema de lavagem, a Operação destacou as transações entre ele e as empresas de fachada W A Da Costa Pereira e Espresso Lava Car (agora Complexo Beira Rio), cujo proprietário é Willian Aparecido, apontado como líder do esquema, de alcunha “Gordão”.

As empresas foram investigadas como possível destino final dos capitais de fundo provenientes da lavagem de dinheiro feita pelo grupo. As transações, embora de baixa frequência, possuem valores elevados, sugerindo um propósito além do pagamento por serviços de limpeza de veículos.

Outras transações financeiras com empresas como K. B. BERTONI Eireli, Dom Carmindo, W.G.D. de Moraes, Dallas Bar, também são questionáveis. Por fim, o SINDARF tem movimentações questionáveis com José Márcio Vieira e transações inexplicadas com a W A DA COSTA PEREIRA, como por exemplo a compra de telhas pela empresa e sua entrega no endereço do sindicato e depósitos financeiros de grande vulto que estreitam ainda mais os vínculos entre os investigados.

Rodrigo Leal, assessor de Paulo, seria o elo entre ele, Gordão e Jogador, líderes do Comando Vermelho que executara o esquema milionário. Além de ser o responsável pela “contabilidade” desse esquema, Leal é o elo entre a facção e agentes públicos que auxiliam na realização dos shows.

Rodrigo, além de ser “empresário”, também trabalha como assessor parlamentar do vereador, oportunidade em que exerce influência sobre agentes públicos da Secretaria Municipal de Ordem Pública e Defesa Civil de Cuiabá (SORP).

Já Paulo Henrique usa sua influência, enquanto vereador, para auxiliar o grupo a obter as licenças necessárias para a realização dos shows, recebendo para isso, vantagens financeiras de maneira direta e indireta.

Paulo Henrique é concursado pela Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá, no cargo de Agente de Regulação e Fiscalização, e também exerce atualmente a presidência do Sindicato dos Agentes de Regulação e Fiscalização do Município de Cuiabá (SINDARF/MT).
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