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Domingo, 21 de julho de 2024

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OSTENTA NAS REDES SOCIAIS

Milhões em PIX e ligação estreita com líder do CV: veja as suspeitas que colocaram empresário de Cuiabá na mira da PF

Foto: Reprodução

Milhões em PIX e ligação estreita com líder do CV: veja as suspeitas que colocaram empresário de Cuiabá na mira da PF
Dois indícios levaram a Polícia Federal desconfiar da origem do patrimônio de Agner Luiz Pereira, empresário dono da farmácia Bom Preço, na capital, e sua suposta ligação com o Comando Vermelho: sua estreita relação com Joadir Alvez Gonçalves, vulgo “Jogador”, e inconsistências nas suas declarações de renda. Agner ostenta nas redes sociais registros dos seus carrões de luxo, vídeos contando maços de dinheiro e mansão em condomínio de alto padrão de Cuiabá.


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Ele foi alvo de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (5), no âmbito da Operação Ragnatela, deflagrada contra lavagem de dinheiro executada pelo Comando Vermelho em Mato Grosso, cujos participantes do esquema seriam faccionados, empresários, um vereador e servidores públicos.

O padrão de vida ostentado nas redes sociais, porém, contrasta com suas declarações de renda à Receita Federal. Além disso, segundo a PF, Agner recebe dinheiro de Jogador, proveniente das atividades ilícitas do Comando Vermelho. Com recursos recebidos pela facção, Agner os emprestaria a juros abusivos (10% ou superior ao mês), revelando indícios de crime contra a economia popular.

Proximidade com o CV

Foi a proximidade com Jogador que levantou a principal suspeita da Polícia Federal sobre o patrimônio de Agner, além de ligação com pessoas que têm extensas fichas criminais, como por tráfico de drogas.

Nas redes sociais, Agner se autodenomina empresário de sucesso. Contudo, a proximidade dele com a liderança da facção levantou a necessidade de uma investigação minuciosa sobre a origem do seu dinheiro e investimentos que faz.

Para a PF, a ligação dele com Jogador revelou indícios de que ele obtém dinheiro via práticas ilícitas da facção, para comprar veículos, realizar transações irregulares com revendas parceiras e devolver o montante aos investidores para camuflar as movimentações financeiras.

Segundo a autoridade policial, há quantia expressiva em posse de Agner à disposição de Jogador, indicando possível conexão financeira entre ambos. Para concretizar o indício, a PF observou que Jogador não mais usava um veículo Corolla Cross, avaliado em mais de R$100 mil, mas sim, um Camaro.

A Polícia Federal flagrou que o Corolla foi repassado à Agner pelo próprio jogador, que foi ao condomínio Belvedere para trocar os carros. Após a troca, o Corolla foi deixado na garagem revendedora Guto Veículos. Durante levantamento de campo, diligência flagrou o Camaro conversível em frente do Dallas Bar, estabelecimento usado para lavagem de dinheiro, e depois no edifício Jardim Beira Rio, na garagem do apartamento da namorada de Jogador.

“Corolla Cross foi registrado a entrada no condomínio Belvedere, conduzido por Agner, porém posteriormente foi deixado em loja de carro Guto Veículos”, diz trecho do relatório investigativo.

Indícios de lavagem e sonegação

Após a realização dos levantamentos em torno de Agner, a PF traçou um perfil detalhado dele, revelando indícios de atividades suspeitas e discrepâncias financeiras. As informações coletadas apontam para uma possível conexão com o CV, evidenciando o uso de recursos que não condizem com sua capacidade financeira declarada.

Além da ligação com Jogador e pessoas com ficha criminal, as postagens ostensivas em suas redes sociais contrastam com a falta de registros adequados de transferências de bens, levantando a suspeita de que Agner possa estar envolvido em práticas ilícitas, como a obtenção de dinheiro proveniente de atividades criminosas.

A PF suspeitou das diversas postagens feitas por ele nas redes sociais, evidenciando incompatibilidade com sua capacidade financeira lícita. As postagens retratam bens de alto valor, quantias de dinheiro em espécie e aquisições que parecem estar além das possibilidades financeiras declaradas.

Essas imagens foram fundamentais para a investigação, visando esclarecer a origem desses ativos e verificar a existência de possível enriquecimento ilícito ou atividades financeiras suspeitas, de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outras atividades ilícitas.

As movimentações da esposa de Agner também levantaram suspeitas. O casal usaria estratégias para burlar os limites legais, como a fragmentação de saques, depósitos em espécie e centenas de transferências via PIX. Discrepâncias entre a declaração das respectivas profissões e rendimentos culminou na desconfiança da polícia.

Uma observação para exemplificar as suspeitas, a PF anotou no relatório que Agner movimentou mais de R$2 milhões em dois meses, valor incompatível com sua renda declarada. O sócio dele na farmácia declarou renda de R$8 mil mensais. Já a contraparte Carros Brasil Intermediadora E Locadora Ltda, a qual Agner seria sócio no ramo de atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários, com faturamento médio mensal de R$ 216.142,86, também demonstrou inconsistência.

Além disso, apontou a PF que o empresário recebeu em sua conta corrente 220 pix que totalizaram R$ 1.100.997,80. “Provenientes da mesma titularidade, outra PF além da empresa na qual e socio cotista AGNER LUIZ P. DE O. SOARES. Suas saídas performaram um total de R$1.195.270,89 tendo como principal operação 223 PIX - R$ 846.320,31. Sendo todas as movimentações incomuns ao seu perfil transacional e capacidade financeira declarada”, destacou a investigação.

“Diante das informações expostas sobre as movimentações financeiras da esposa e de Agner Luiz Pereira, fica evidente a existência de indícios de atividades suspeitas e incompatíveis com as rendas declaradas por ambos. As transações levantam sérias questões sobre possível sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e utilização de estratégias para burlar limites regulatórios de reportes, como fragmentação de saques e depósitos em espécie. Além disso, a discrepância entre as informações fornecidas a diferentes instituições a respeito de suas profissões e rendimentos levanta suspeitas adicionais sobre a veracidade dos dados”, concluiu a PF.
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