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Segunda-feira, 26 de julho de 2021

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​MOROSIDADE

Morte de tenente Scheifer completa quatro anos e réus sequer foram interrogados

Da Redação - Vinicius Mendes

13 Mai 2021 - 14:51

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Morte de tenente Scheifer completa quatro anos e réus sequer foram interrogados
Neste dia 13 de maio são completados quatro anos desde a morte do tenente do Bope, Carlos Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, no distrito de União do Norte, próximo a Peixoto do Azevedo (a 673 km de Cuiabá). Os acusados de cometer o crime, os policiais militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino, até hoje não foram ouvidos na Justiça. Após sucessivos adiamentos, uma sessão de instrução deve acontecer no próximo dia 1º de julho.
 
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O processo sobre a morte do tenente, que tramita na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, vem andando a passos lentos. A última audiência sobre o caso foi realizada em junho de 2019, quando foram ouvidas testemunhas de defesa.
 
Os réus, a princípio, deveriam ser ouvidos em dezembro de 2019, mas a sessão foi reagendada para maio de 2020 e depois para outubro de 2020. O último reagendamento ocorreu no dia 23 de abril deste ano e a sessão de instrução foi designada para o próximo dia 1º de junho, às 13h30. Algumas testemunhas também devem ser ouvidas.
 
O processo tramitava fisicamente 11ª Vara Criminal, mas foi migrado para o sistema PJe (eletrônico) em setembro do ano passado. A última movimentação foi uma “Juntada de Petição de outros documentos”, feita no dia 4 de maio de 2021.
 
Relatos
 
As cinco testemunhas de acusação ouvidas em abril de 2019 relataram o cenário em que se deu a morte de Scheifer. A equipe do Bope, integrada pelos militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim, Werney Cavalcante Jovino e chefiada por Carlos Henrique Scheifer, teria ido ao distrito de União do Norte, próximo a Peixoto do Azevedo (695 km de Cuiabá), em maio de 2017, para atuar em uma operação contra uma quadrilha de roubos a banco, na modalidade novo cangaço.
 
De acordo com os relatos, a equipe de Scheifer foi de aeronave até a localidade e pouco depois que chegou teria recebido informações, de um suspeito que foi abordado em um posto de gasolina, sobre o local onde estariam alguns dos membros da quadrilha.
 
A equipe de Scheifer teria ido até esta residência informada e lá teriam realizado a abordagem que resultou na morte de Marconi Souza Santos, isso por volta do meio-dia. Jacinto teria sido o autor do disparo que matou Marconi, justificando que o suspeito estaria armado.
 
Segundo o tenente Herbe Rodrigues da Silva, que testemunhou, uma arma foi encontrada do lado de dentro da casa, nos fundos, enquanto o corpo de Marconi teria sido encontrado do outro lado do muro, fora da propriedade. Herbe disse que ele próprio entregou a arma a Scheifer.
 
Outras equipes da Polícia Militar, de regiões próximas, foram acionadas para dar apoio a esta operação. O soldado Vizentin, que auxiliava no recolhimento dos materiais abordados, disse à Justiça que teria visto o cabo Jacinto andando de um lado para o outro, nervoso, e dizendo “este tenente é muito legalista”, se referindo a Scheifer.
 
Os policiais localizaram um veículo, que seria dos suspeitos, que foi abandonado em uma região de mata. Já no período da tarde, a equipe do tenente-coronel Jonas Puziol foi juntamente com a equipe de Scheifer até o local onde estava o veículo, e lá Scheifer teria pedido a ele que fosse embora do local e levasse a viatura do Bope, na tentativa de simular para os bandidos que a polícia teria deixado o local.
 
Momentos mais tarde os policiais da região começaram a receber por rádio a informação de que um policiai estava ferido, e pediam informações sobre o hospital mais próximo. De acordo com as testemunhas, Scheifer teria chegado ainda com vida ao hospital, em Matupá, mas logo veio a óbito.
 
Em seu depoimento o sargento Antônio João da Silva Ribeiro teria dito que, no hospital, os três membros do Bope teriam ido sozinhos a uma sala, onde conversaram. Ele disse que os três aparentavam estar abalados, mas quando tentou se aproximar, para saber como se deu a morte de Scheifer, Jacinto teria dito para que ele se afastasse.

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