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Sexta-feira, 22 de novembro de 2019

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Justiça garante demarcação de terra indígena pertencente à etnia Bakairi

Da Redação - Wesley Santiago

07 Nov 2019 - 10:15

Foto: Reprodução

Justiça garante demarcação de terra indígena pertencente à etnia Bakairi
Uma liminar concedida pela Justiça Federal obriga que a Funai e a União Federal deem continuidade e concluam o processo administrativo de identificação e redefinição dos limites da Terra Indígena (TI) Bakairi, nos municípios de Paranatinga e Planalto da Serra (338 e 280 quilômetros de Cuiabá). A ação foi movida pelo Ministério Público Federal em Mato Grosso, por meio do Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais.

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No Inquérito Civil Público n. 1.20.000.000053/2015-77, instaurado pelo MPF e que resultou na Ação Civil Pública (ACP), consta um documento em que a etnia reclama da morosidade e da insuficiência do processo demarcatório, salientando que “as terras indígenas foram extremamente reduzidas, comprometendo a sobrevivência étnica e cultural do Povo”.
 
A Justiça Federal em sua decisão, frisa que, diante dos fatos constantes dos autos, “é coerente afirmar que, ao não se concluir o pedido de revisão da demarcação da área indígena, apresenta-se suficientemente comprovada a mora estatal e o evidente interesse jurídico da etnia Bakairi em ver concretizado o procedimento de revisão da demarcação da área da Terra Indígena em apreço”.
 
Portanto, “além de configurados fundamentos relevantes ao deferimento da medida de urgência, também se mostra evidenciado o perigo de dano, uma vez que os elementos anexados ao processo revelam a limitação da propriedade da área constitucional e originariamente assegurada à comunidade indígena”, afirma a Justiça Federal.
 
Diante disso, a Funai e a União Federal devem adotar todas as medidas necessárias para o imediato prosseguimento do processo de demarcação da área, mediante a constituição do Grupo Técnico para realizar os trabalhos de identificação e delimitação da sua área, no prazo máximo de 30 (trinta) dias. Posteriormente, devem promover o regular processamento do procedimento, com publicação relatório de identificação e delimitação, inclusive, com a resolução de eventuais pendências, com posterior encaminhamento destes ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, sob pena de multa diária no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
 
Histórico
 
A Terra Indígena Bakairi, demarcada e regularizada, situa-se, na sua maior parte, na margem direita do Rio Paranatinga, município de Paranatinga. Uma pequena parcela está localizada na sua margem esquerda, município de Planalto da Serra. As terras reivindicadas são contíguas a esta área. Nelas existiam aldeias, inclusive Mesaekuru, liderada por Antoninho Kuikare, que se tornou famoso por acompanhar as expedições ao Xingu, em 1884 e 1887, chefiadas pelo médico e etnólogo alemão da Universidade de Berlim, Karl Von den Steinen.

Há muito tempo os Bakairi lutam por essas terras. Em 2005, eles protocolaram um pedido de revisão da área regularizada, junto à Funai. Em 2009 eles reencaminharam o pedido ao Presidente da Funai. Um novo processo foi protocolado na sede da Funai (Brasília), em 2014, o que resultou na ACP.

1 comentário

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  • Chico Bento
    08 Nov 2019 às 11:38

    Quem precisa de terra é o branco que a faz produzir gerando alimentos, renda, impostos e divisas para o Brasil. Índio precisa ser emancipado e produzir pelo menos para seu sustento, chega de tanto benefício para ele, enquanto o cidadão trabalhador vive correndo igual a louco para poder dar conta do recado e pagar altos impostos nesse país!

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