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Segunda-feira, 22 de abril de 2019

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Coronel afirma que ‘caldos’ são comuns em treinamento e que bombeiros a ponto de se formar deveriam estar aptos

Da Redação - Wesley Santiago/Da Reportagem Local - Fabiana Mendes

15 Abr 2019 - 18:09

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Tenente Ledur foi denunciada por tortura e morte do aluno soldado Rodrigo Claro

Tenente Ledur foi denunciada por tortura e morte do aluno soldado Rodrigo Claro

O coronel João Rainho Júnior, do Corpo de Bombeiros, foi ouvido na tarde desta segunda-feira (15), na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, como testemunha de defesa da tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de torturar e causar a morte do jovem Rodrigo Claro, em novembro de 2016, durante um treinamento da corporação. Segundo ele, os chamados ‘caldos’ são comuns em situações como esta. Além disto, o militar pontuou que os alunos que estavam a ponto de se formar, deveriam estar aptos a enfrentar este tipo de situação.

Leia mais:
Defesa da tenente Ledur pede anulação de todas as provas e cita incompetência da Polícia Civil para investigar
 
João Rainho Junior foi professor da tenente Ledur durante sua especialização e a primeira testemunha de defesa ouvida nesta segunda-feira. Ele atua no setor de instrução e explicou como funcionamento os treinamentos na instituição, inclusive em piscinas e lagos.
 
O coronel citou que o ‘caldo’ é algo comum no treinamento, para simular que o bombeiro está sendo afogado pela vítima em um momento de salvamento. Além disto, pontuou que um aluno que está há pouco menos de um mês da sua formação, como era o caso de Rodrigo Claro, deveria estar apto a enfrentar este tipo de situação.

Como exemplo, o coronel relatou uma situação ocorrida com ele no Coxipó do Ouro, quando ele tentava fazer o resgate de um alguém que o pegou pelo pescoço e o afundou.
 
A testemunha ainda acrescentou que existem vários alunos que entram para ser bombeiros e salvar vidas, enquanto que outros querem apenas ser servidor público e ter estabilidade. Neste último caso, ainda conforme o coronel, muitos acabam desistindo, muitas vezes se queixando dos treinamentos e dores.

Audiência

A defesa da tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de torturar e causar a morte do jovem Rodrigo Claro, em novembro de 2016, durante um treinamento do Corpo de Bombeiros, requereu – nesta segunda-feira (15), durante audiência na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar- a anulação e todas as provas produzidas pela Polícia Civil. Segundo o advogado Huendel Rolin a PJC não teria competência para realizar a investigação. O pedido foi negado pela maioria.

O caso
 
Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e faleceu por volta de 1h40 do dia 16 de novembro de 2016. Ele teria sido dispensado no final do treinamento do curso dos bombeiros, após reclamar de dores na cabeça e exaustão. O jovem teria passado por sessões de afogamento e agressões por parte da tenente Izadora ledur.
 
O Corpo de Bombeiros informou que já no Batalhão ele teria se queixado das dores e foi levado para a policlínica em frente à instituição. Ali, sofreu duas convulsões e foi encaminhado em estado crítico ao Jardim Cuiabá, onde permaneceu internado em coma, mas acabou falecendo.

O corpo de Rodrigo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, mas análise preliminares não apontaram a real causa da morte e por isso exames complementares foram realizados, de acordo com a perícia criminal.

34 comentários

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  • Matogrossense
    16 Abr 2019 às 15:44

    Isso é uma vergonha. “Como nascem os monstros”, isso é o que vocês são MONSTROS. Ainda negam a existência da tortura institucionalizada, mesmo com todas as evidências, depoimentos e marcas deixadas na vida de tantas pessoas, e pela morte Rodrigo e sabe-se lá de quantas outras tantas. Agentes públicos transformados em torturadores e assassinos seguem impunes, e ainda remunerados pelo Estado, uma vergonha. Defender a Tenente é facil Coronel mas o RODRIGO foi condenado a morte por vocês e agora? "A esperança é a última que morre. Por isso todo Mato grossense espera por justiça, e principalmente justiça que não falha, a de Deus".

  • José
    16 Abr 2019 às 10:26

    Tem que mandar os denunciados para trás das grades, bem como decretada a perda do cargo público. Acrescento, ainda, que devem indenizar a família da vítima.

  • Juracy Ady
    16 Abr 2019 às 10:07

    Sem fosse filho do tal coronel, duvido que pensaria assim..

  • Marcos Silva
    16 Abr 2019 às 10:00

    Diz um ditado: "Quem vê cara não vê coração". Neste caso dá para ver na cara dessa meliante o que é que tem em seu coração, maldade e arrogância. Ela não pode voltar a fazer parte da corporação de bombeiros de jeito nenhum. DESEQUILIBRADA!

  • José trancoso
    16 Abr 2019 às 09:31

    "Caldos são comuns". Onde está previsto isso coronel? Deixa de ser hipócrita! Sua defesa só complica a situação da tenente irresponsável . Põe seu filho pra fazer um curso semelhante e diz pro instrutor aplicar castigo físico nele pq é comum. Saiba coronel que o instrutor(a) não pode encostar a mão no instruendo, sob pena de agressão física. Com esse pensamento de um oficial superior do Corpo de Bombeiros, com certeza, poderá haverá novas vítimas. Aliás! Quem fiscaliza/inspeciona o Corpo de Bombeiros. O Exército?

  • mae
    16 Abr 2019 às 09:22

    RIDICULO !! FAZ ASSIM COLOCA SEUS FILHOS PARA TOMAREM CALDOS. BANDO DE HIPOCRITAS. SE FOSSE SEU FILHO CORONEL DUVIDO SE VOCE ACEITARIA ISSO COMO RESPOSTA. AGORA QUEM ESTA MORTO É O RODRIGO. MAS DA JUSTIÇA DE DEUS NINGUEM ESCAPA. BRASIL SALVE SE QUEM PUDER. AGUARDAR A DECISÃO DO TJMT..

  • cidadã
    16 Abr 2019 às 08:59

    Agora só faltam dizer que a culpa foi do rapaz. Até quando vamos assistir esse tipo de barbaridade e achar que é normal? Estamos no século XXI, e esse tipo de treinamento não contribui muito não. Deveriam rever a forma de treinar os militares ao invés disso preferem usar técnicas antiquadas esperando novos resultados.

  • Gisele
    16 Abr 2019 às 08:49

    Olha a arrogância, da pessoa, estampada na expressão corporal.

  • Mulher ma
    16 Abr 2019 às 08:46

    Se aqui fosse um pais serio essa mulher estaria presa na hora que aconteceu o crime!! Isso e um deboche com a familia do finado.

  • Luana
    16 Abr 2019 às 08:38

    Treinamento é vc ensinar e posteriormente tentar uma ou duas vezes , não milhares de vezes levando a pessoa ao obito, não dar assistencia após o ocorrido. Ela lidava com vidas. A corporação precisa rever as pessoas que fazem esses treinamentos, que na minha concepcão ter títulos não significa ser capaz. Todos sempre tiveram medo dela por já saberem que ela sempre teve requinte de crueldade nos seus " treinamentos" pelo que li. Uma decepção para nós cidadãos do bem que acreditávamos na instituição.

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