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Quarta-feira, 01 de dezembro de 2021

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dinheiro devolvido

Gráfica deu mais de R$ 2 milhões em caixa 2 para campanha de Taques, diz delator

Foto: Rogério Florentino Pereira/ OD

Gráfica deu mais de R$ 2 milhões em caixa 2 para campanha de Taques, diz delator
A delação de Alan Malouf, que teve seu sigilo retirado nesta sexta-feira (19), revela que a Gráfica Print, investigada por contratos com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e com o governo, deu mais de R$2 milhões em caixa 2 para a campanha de Pedro Taques em 2014. Segundo o delator, o então candidato tinha ‘medo’ de receber a doação formal por causa dos escândalos envolvendo a empresa.

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Segundo Alan, Dalmi Defanti, proprietário da Gráfica, foi apresentado por ele a Pedro Taques, em um encontro na sacada do apartamento do então candidato, no edifício Riviera Santa Rosa, em meados de 2014.

O esquema funcionava da seguinte forma: a gráfica chegou a prestar serviços de campanha de declará-los. No entanto, depois que era efetuado o pagamento, o dinheiro era devolvido pelo empresário, e entrava como caixa 2.

Este dinheiro ‘devolvido’ era entregue pelo empresário ao Sr. Júlio Modesto, atual Secretário no Governo Pedro Taques, para que fossem pagas contas de campanha. No total, foram entregues R$ 2 milhões em material e "esquentado" com notas, como se tivesse sido comprado.

As notas, no entanto, tem valor menor do que o que foi prestado. O valor que foi pago teve o deslocamento financeiro, com ingresso, recolhimento de impostos, saída de valores da gráfica e devolução a Júlio.

A Gráfica Print aparece nas planilhas apresentadas pelo colaborador, que corroboram a movimentação financeira, o, que, segundo sua declaração, pode ser ratificado com o afastamento do sigilo bancário da empresa.

A denúncia
 
Em 19 de abril de 2018, foi homologado o acordo de delação premiada, firmado entre o Ministério Público Federal e Alan Ayoud Malouf, com a finalidade de obter elementos de prova contra os investigados na Operação Rêmora, conduzida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

No requerimento de homologação do acordo, o Ministério Público Federal esclareceu que o relator revelou dados de um esquema de arrecadação de verbas, captadas mediante a doação de empresários, e a formação de chamado caixa dois, destinadas à campanha eleitoral de Pedro Taques ao Governo do Estado de Mato Grosso, em 2014.

Segundo asseverou, o retorno aos doadores consistiria na celebração de contratos, regulares ou não, com o Estado de Mato Grosso. O MPF também destacou a existência de vinte cadernos anexados ao acordo de colaboração premiada, nos quais está descrita a interlocução do delator com o governador e outras autoridades que detêm a prerrogativa de serem processadas no Superior e no Supremo, entre elas o deputado federal Nilson Leitão.
 
Malouf ainda apontou um esquema de desvio de recursos públicos, por meio de fraudes a licitação, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso, durante a gestão do então secretário Permínio Pinto Filho.

Outro lado

Leia a íntegra da nota enviada pela assessoria de Pedro Taques:

Conforme já declarado desde 2016, o governador Pedro Taques nega a prática do chamado “Caixa 2” em sua campanha eleitoral ao Governo de Mato Grosso em 2014 e tampouco autorizou vantagens indevidas a qualquer empresa durante o exercício do mandato. Apesar de citado por delator em acordo de delação premiada, Taques não é réu no processo da chamada “operação Rêmora” e terá direito a ampla defesa nos autos. O governador já constituiu advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça.
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